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Usinagem de peças: o que enviar para comparar preços e como receber a peça

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  • A peça. O que é, o material e para que serve.
  • Desenho ou amostra. Se você tem um desenho técnico ou uma peça de amostra.
  • Quantidade. Quantas peças agora e se o trabalho vai se repetir.
  • Onde e quando. A cidade, a forma de entrega e o prazo em que você precisa.
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Precisamos usinar vinte eixos de aço para substituir os que gastaram em uma máquina da nossa linha.
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  2. 02

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  3. 03

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Antes de encomendar a usinagem

  • O desenho e a revisão

    Diga se há desenho cotado ou modelo 3D, em que revisão, e se a legenda indica a tolerância geral. Sem desenho, diga se há peça de amostra.

  • O material e quem compra

    Informe o material pela designação, como o tipo de aço ou a liga de alumínio, e diga quem compra a barra ou o bloco: a sua empresa ou a empresa de usinagem.

  • Quantidade e repetição

    Diga quantas peças quer agora e se o lote vai se repetir. A preparação da máquina é feita uma vez por lote, por isso a quantidade muda o preço de cada peça.

  • Tratamento e acabamento

    Indique a dureza final, o tratamento térmico ou superficial e as superfícies que pedem acabamento fino ou tolerância apertada.

  • Documentos e entrega

    Diga que relatório de medição e que certificado do material quer receber, onde as peças devem ser entregues e em que prazo.

Em resumo

Usinagem de peças é dar à peça a forma e as medidas do desenho removendo material em torno, fresadora, retificadora ou máquina CNC. O preço soma a preparação (dividida pelo lote), as horas de cada máquina, o material, os tratamentos e a inspeção. Nas cotas sem tolerância, vale a tolerância geral que o desenho indicar, com norma e classe.

Quais são os tipos de usinagem e o que é usinagem CNC?

Entre os tipos de usinagem estão o torneamento, o fresamento, a furação e o mandrilamento, a retificação, a eletroerosão, o aplainamento e o brochamento, cada um com a sua família de máquinas. A ABNT NBR 6175:2015 dá a nomenclatura, a definição e a classificação dos processos mecânicos de usinagem. A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) agrupa as máquinas-ferramentas em posições, cada uma com códigos próprios para as máquinas de comando numérico, e a tabela segue essas posições. Usinagem CNC é a feita em máquina de comando numérico computadorizado: um programa controla os movimentos da máquina. Um estudo do CEFET/RJ apresentado em 2006 no congresso brasileiro de educação em engenharia resume a diferença: na máquina convencional, a repetibilidade e a produtividade dependem do operador, e as geometrias fora do comum levam tempo; a máquina CNC une a flexibilidade para mudar de peça, a repetibilidade de uma peça para outra e a capacidade de fazer peças complexas.[1][2][3][4]

Quais são os tipos de usinagem e o que é usinagem CNC?
Máquinas (posição na NCM)O que a posição abrangeO que dizer na solicitação
Tornos e centros de torneamento (84.58)Tornos para metais, horizontais ou não, incluindo os centros de torneamento.Os diâmetros e o comprimento da peça e quais cotas são de encaixe, como o assento de um rolamento.
Fresadoras, furadeiras e mandriladoras (84.59)Máquinas-ferramentas para furar, mandrilar, fresar e roscar metais por eliminação de matéria, exceto os tornos.As faces, os rasgos, os furos e as roscas da peça e quais furos têm tolerância de posição.
Centros de usinagem (84.57)Os centros de usinagem para trabalhar metais e, na mesma posição, as máquinas de uma só estação e as de estações múltiplas.Quantas faces da peça precisam ser usinadas e se existe modelo 3D além do desenho.
Retificadoras (84.60)Máquinas para rebarbar, afiar, retificar, brunir, polir e fazer outros acabamentos em metais por meio de mós, abrasivos ou produtos polidores. Segundo um material de aula da USP, a retífica dá acabamento fino e exatidão de medida, em geral depois do torneamento e do fresamento, e corrige pequenas deformações do tratamento térmico.As superfícies com tolerância apertada ou acabamento fino e se a peça é temperada antes da retífica.
Eletroerosão, laser e plasma (84.56)Máquinas que trabalham por eliminação de qualquer matéria por laser ou outro feixe de luz, ultrassom, eletroerosão, processos eletroquímicos, feixes de elétrons ou de íons e jato de plasma, e as máquinas de corte a jato de água.O processo, se o desenho exigir um, e o material e a espessura da peça.
Plainas, brochadeiras e máquinas de engrenagens (84.61)Máquinas para aplainar, escatelar, brochar, cortar ou acabar engrenagens, serrar e seccionar metais.Se a peça tem rasgo de chaveta, estrias ou dentes de engrenagem, com os dados que o desenho traz.

O que enviar à empresa de usinagem para receber preços comparáveis?

Na prática, mande a todas as empresas o mesmo pacote por escrito: o mesmo desenho, na mesma revisão, com o material, a quantidade, os tratamentos, o acabamento e os documentos de entrega. Só assim dois preços de serviço de usinagem se comparam. Num termo de referência de 2024 para recuperar o acoplamento de um navio-patrulha, a Marinha pediu a usinagem conforme o desenho técnico do fabricante, proibiu mudar especificações ou desenhos sem autorização prévia por escrito e exigiu os certificados dos materiais antes do início do serviço.[6]

Diga também quem fornece o material. Na empreitada, o Código Civil não presume a obrigação de fornecer os materiais: ela resulta da lei ou da vontade das partes (art. 610, § 1º). Num termo de referência de novembro de 2026, o IPEN entrega as chapas em quantidade justa, quase sem sobra, e deixa com a empresa contratada a guarda do material, a responsabilidade por perdas e por erros de usinagem que lhe sejam imputáveis e o dever de comunicar, antes de começar, qualquer dúvida que ponha o material em risco.[15][7]

O pacote que permite comparar as respostas leva estes itens:[6]

  • Desenho cotado, com número e revisão, ou modelo 3D com as cotas e as tolerâncias; na legenda, a tolerância geral, com a norma e a classe (veja abaixo). Sem desenho, a peça de amostra.[8]
  • A designação do material, como o tipo de aço ou a liga, e quem compra a barra ou o bloco.[15]
  • A quantidade do lote e se ele vai se repetir. No modelo de custo ensinado na UFPR, o tempo de preparação da máquina entra dividido pelo número de peças do lote.[5]
  • A dureza final e o tratamento térmico ou superficial. Se a peça for temperada, diga se as medidas finais saem da retífica depois do tratamento: a retífica corrige pequenas deformações e remove camadas finas endurecidas.[4]
  • O acabamento das superfícies funcionais, com a rugosidade pedida, e o revestimento, se houver.[4]
  • Os documentos de entrega: certificado do material, relatório de medição e, num lote grande, o plano de amostragem da inspeção de recebimento, citado no pedido.[6][14]

Qual é o valor de uma usinagem e do que é feito o preço?

O valor de uma usinagem não é um número fixo por peça ou por hora: ele soma a preparação, as horas de cada máquina, o material, as ferramentas, os tratamentos e a inspeção. O valor por peça muda com o desenho e com o tamanho do lote, que divide a preparação. A tabela segue o modelo de tempo e custo ensinado no Laboratório de Usinagem da UFPR, que soma por peça o tempo de corte, o de carga e descarga, o de aproximação e recuo da ferramenta e a parcela da troca de ferramenta, mais o tempo de preparação dividido pelo número de peças do lote. Esse modelo cobre só o serviço de usinagem, sem o projeto e sem o material da peça.[5][3][15][4][14]

Qual é o valor de uma usinagem e do que é feito o preço?
Parcela do preçoO que pesa nelaO que pedir que a resposta separe
Preparação (setup) e programaçãoPreparar a máquina para um novo lote e, na máquina CNC, elaborar o programa. É um tempo por lote: no modelo da UFPR, entra dividido pelo número de peças.O valor da preparação em linha própria, para ver quanto cai o preço por peça num lote maior.
Horas de máquina e de operadorCada máquina tem o seu valor de hora. No modelo da UFPR, a hora-máquina inclui depreciação, juros, manutenção, energia e espaço ocupado, e a mão de obra entra com os encargos.As horas por tipo de máquina: torno, fresadora, centro de usinagem, retificadora.
MaterialNo modelo da UFPR, fica fora do custo de usinagem. A obrigação de fornecê-lo resulta da lei ou do combinado: na empreitada, o Código Civil não a presume (art. 610, § 1º).Se o material está incluído, em que medida bruta e com que certificado.
FerramentasNo modelo da UFPR, o custo da ferramenta é calculado pelo preço de cada aresta de corte, e o tempo de troca da ferramenta entra no tempo por peça.Se há ferramenta especial ou dispositivo de fixação feito só para a sua peça e com quem ele fica depois.
Retífica e tratamentosSegundo um material de aula da USP, a retífica vem em geral depois do torneamento e do fresamento e trabalha sobre um sobremetal da ordem de 0,2 a 0,5 mm, porque a retificadora é uma máquina de custo elevado.O tratamento térmico ou superficial, quem o faz e se a retífica final está no preço.
Inspeção e documentosMedir as peças conforme o desenho e preparar os documentos pedidos, como o relatório de medição e o certificado do material. Num lote, a inspeção por amostragem pode seguir os planos da ABNT NBR 5426:1985. Pela própria norma, quando ela é especificada, deve ser citada no contrato ou em outro documento.Que relatório vem com as peças e se ele está no preço.

Qual tolerância vale quando o desenho não indica tolerância?

Vale a tolerância geral que o desenho indicar. No Brasil, a ABNT NBR ISO 2768-1:2001, em vigor e confirmada em 2017, tem como objetivo simplificar as indicações em desenhos e especificar tolerâncias gerais para dimensões lineares e angulares sem indicação individual de tolerância.[8]

O texto brasileiro é idêntico ao da ISO 2768-1:1989 e tem quatro classes de tolerância, para peças feitas por remoção de metal ou conformadas a partir de chapa metálica. Com quatro classes, a legenda precisa dizer a norma e a classe. Se o desenho não cita tolerância geral nenhuma, a cota sem tolerância fica sem limite definido: combine esse limite por escrito antes da usinagem.[8][10]

A ISO 2768-1:1989, confirmada em 2022, vai dar lugar a uma segunda edição, numerada só ISO 2768, sem número de parte, que estava em fase final de publicação na ISO em novembro de 2026. No catálogo da ABNT, a ABNT NBR ISO 2768-1:2001 continuava em vigor nessa data.[10][11][8]

As tolerâncias geométricas gerais ficavam na parte 2, a ABNT NBR ISO 2768-2:2001, cancelada em 26 de junho de 2025 e substituída pela ABNT NBR ISO 22081:2025. Se um desenho antigo ainda cita a parte 2, combine com a empresa de usinagem o que vale.[9]

Dê tolerância própria às cotas de encaixe, como furo e eixo que trabalham juntos. O sistema de tolerâncias e ajustes está na ABNT NBR 6158:1995 e, no plano internacional, nos códigos da ISO 286-1:2010, que definem classes de tolerância padronizadas para cilindros e para duas faces paralelas opostas.[12][13]

Posso recusar uma peça usinada fora do desenho e até quando?

Pelo Código Civil, sim, se a encomenda for uma empreitada. Na empreitada, o empreiteiro contribui para a obra só com o seu trabalho ou com trabalho e materiais (art. 610). Quem encomendou é obrigado a receber a obra concluída de acordo com o ajuste ou com o costume do lugar, mas pode rejeitá-la se o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados, ou das regras técnicas em trabalhos de tal natureza (art. 615). Em vez de rejeitá-la, pode recebê-la com abatimento no preço (art. 616).[15]

Para o defeito que só aparece depois da entrega, os prazos de reclamação e o material, valem estas regras do Código Civil:[15]

  • A coisa recebida num contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos que a tornem imprópria ao uso a que se destina ou lhe diminuam o valor; em vez de rejeitá-la, o adquirente pode reclamar abatimento no preço (arts. 441 e 442).[15]
  • Para coisa móvel, o prazo para exercer esse direito é de 30 dias, contados da entrega efetiva. Quando o defeito, por sua natureza, só pode ser conhecido mais tarde, o prazo conta do momento em que se tem ciência dele, até o máximo de 180 dias (art. 445).[15]
  • Se o contrato tem cláusula de garantia, esses prazos não correm enquanto ela dura, mas o defeito deve ser comunicado em até 30 dias da descoberta, sob pena de decadência (art. 446).[15]
  • Se o empreiteiro fornece só o trabalho, os riscos em que ele não tiver culpa correm por conta de quem encomendou (art. 612), mas ele paga os materiais que recebeu se os inutilizar por imperícia ou negligência (art. 617).[15]
  • Se o empreiteiro fornece também os materiais, os riscos correm por conta dele até a entrega da obra a contento de quem a encomendou, salvo se quem encomendou estiver em mora de receber (art. 611).[15]

Fontes

  1. ABNT Catálogo, ABNT NBR 6175:2015, Usinagem: processos mecânicos (resumo, em vigor, confirmada em 2024), julho de 2015.
  2. Portal Único Siscomex, Classif (Receita Federal), Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), tabela vigente: posições 84.56 a 84.61, máquinas-ferramentas, vigente em 7 de novembro de 2026 (Resolução Gecex nº 926/2026).
  3. ABENGE, Anais do XXXIV COBENGE (CEFET/RJ), Inovação no processo produtivo no segmento metal-mecânico com uso de tecnologia a CNC (pesquisa do perfil profissional), setembro de 2006.
  4. Universidade de São Paulo, Escola de Engenharia de Lorena, Retífica, material de aula da disciplina LOM3079, 2014 (data do arquivo).
  5. Universidade Federal do Paraná, Laboratório de Usinagem (LabUSIG), Análise econômica: determinação do tempo e custo da usinagem e do intervalo de máxima eficiência (aula 10), junho de 2017 (data do arquivo).
  6. Marinha do Brasil, Comando da Flotilha do Amazonas (PNCP), Termo de referência, contratação direta: recuperação do conjunto de engrenagens do acoplamento do eixo propulsor do Navio-Patrulha Fluvial Amapá, conforme desenho técnico, setembro de 2024.
  7. Comissão Nacional de Energia Nuclear, IPEN (PNCP), Termo de Referência nº 386/2026: corte CNC de chapas fornecidas pelo IPEN, conforme desenhos, 6 de novembro de 2026.
  8. ABNT Catálogo, ABNT NBR ISO 2768-1:2001, Tolerâncias gerais, Parte 1: tolerâncias para dimensões lineares e angulares sem indicação de tolerância individual (resumo, em vigor, confirmada em 2017), fevereiro de 2001.
  9. ABNT Catálogo, ABNT NBR ISO 2768-2:2001, Tolerâncias gerais, Parte 2: tolerâncias geométricas para elementos sem indicação de tolerância individual (cancelada com substituição em 26/06/2025 pela ABNT NBR ISO 22081:2025), fevereiro de 2001.
  10. ISO, ISO 2768-1:1989, General tolerances, Part 1: tolerances for linear and angular dimensions without individual tolerance indications (resumo e situação), novembro de 1989, confirmada em 2022.
  11. ISO, ISO 2768, edição 2: Geometrical product specifications (GPS), dimensional tolerancing, tolerance limits for general specification of linear and angular sizes (em publicação, substituirá a ISO 2768-1:1989), novembro de 2026 (em publicação).
  12. ABNT Catálogo, ABNT NBR 6158:1995, Sistema de tolerâncias e ajustes (resumo, em vigor, confirmada em 2022), junho de 1995.
  13. ISO, ISO 286-1:2010, Geometrical product specifications (GPS): ISO code system for tolerances on linear sizes, Part 1: basis of tolerances, deviations and fits (resumo, confirmada em 2026), abril de 2010.
  14. ABNT Catálogo, ABNT NBR 5426:1985, versão corrigida 1989, Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por atributos (resumo, em vigor, confirmada em 2022), janeiro de 1985.
  15. Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Código Civil (texto atualizado), 10 de janeiro de 2002.

Última verificação: 8 de novembro de 2026

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O que conferir quando as peças usinadas chegam?

Na entrega, confira as peças com o desenho e o pedido: as cotas funcionais, o acabamento, a quantidade e os documentos combinados, como o relatório de medição e o certificado do material. Num lote grande, a inspeção de recebimento pode seguir um plano de amostragem da ABNT NBR 5426, citado no pedido. Pelo Código Civil, defeito oculto se reclama em até 30 dias da entrega; se só puder ser percebido depois, o prazo conta da descoberta, até 180 dias.

Usinagem CNC ou convencional: qual pedir?

Descreva a peça, com o desenho e a quantidade, e deixe a escolha da máquina para a resposta: cada empresa diz como faria. A diferença: na máquina CNC, um programa repete os movimentos e permite geometrias complexas, e o tempo de programação e de preparação se divide pelo lote; na convencional, a repetibilidade e o tempo dependem do operador. Peça que cada resposta diga a máquina e mostre a preparação em separado.

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