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Tornearia CNC: o que mandar para receber a peça certa e como comparar orçamentos

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Em resumo

Para a tornearia CNC acertar a peça, mande desenho técnico ou modelo 3D com as tolerâncias, o material pela designação normalizada, a quantidade do lote, tratamento térmico, acabamento e os documentos de inspeção que quer receber; sem desenho, mande a amostra. Peça um orçamento que separe horas de máquina (setup e produção), material, tratamentos e frete.

O que faz uma tornearia CNC?

Uma tornearia CNC usina peças de metal sob encomenda. Na CNAE do IBGE, a subclasse 2539-0/01, "serviços de usinagem, tornearia e solda", fica na classe 25.39-0, que compreende "os serviços industriais de usinagem (torno, fresa, etc.), soldas e semelhantes" realizados sob contrato, ao lado de têmpera, tratamento térmico do aço e galvanotécnica.[1]

Cada máquina pode entrar no orçamento com hora própria: a ata de registro de preços de usinagem do Centro de Intendência da Marinha em Niterói (RJ), de maio de 2025, tem preços separados por hora-máquina com operador para torno pequeno, torno grande, torno CNC, fresadora, centro de usinagem, retificadoras e eletroerosão, entre outras.[2][3]

Por isso o pedido define o preço: é com o desenho e a quantidade do lote que a oficina estima as horas de cada máquina e a matéria-prima, como prevê um contrato de usinagem do Centro Logístico da Aeronáutica de 2025.[4]

Preciso mandar desenho técnico ou serve o modelo 3D?

Pode ser o modelo 3D, se ele levar as tolerâncias: a ISO 1101:2017 admite que as especificações geométricas sejam anexadas a um modelo CAD 3D, conforme a ISO 16792, em vez de indicadas com anotação visível.[6]

No Brasil, a norma de dimensões e tolerâncias em desenho técnico é a ABNT NBR 17068:2022, para desenhos 2D e aplicável também a 3D; ela substituiu em setembro de 2022 a ABNT NBR 10126 (cotagem) e a ABNT NBR 8404:1984 (estado de superfícies).[11][12][13]

Sem desenho, mande a amostra. No contrato da Aeronáutica, a reengenharia também pode ser pedida para peças sem desenho técnico: o comprador envia uma amostra, que volta no fim do processo, e o serviço pode envolver ensaios de dureza Rockwell e Vickers, rugosidade superficial e metalografia, além de scanner cobrado por hora.[4]

Se a oficina fizer o desenho, peça a ART: a Lei nº 6.496/1977 sujeita à Anotação de Responsabilidade Técnica "todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia" (art. 1º), e a Marinha exige da oficina ART dos desenhos que ela elabora e da execução da peça.[5][3]

Como indicar tolerâncias e acabamento no desenho?

Dê tolerância individual às cotas funcionais, como furos e eixos que se encaixam, e deixe as demais na tolerância geral do desenho: a ABNT NBR ISO 2768-1:2001 tem como objetivo "simplificar as indicações em desenhos", com tolerâncias gerais para dimensões lineares e angulares sem indicação individual.[14][8]

A ISO 2768-1:1989 divide as tolerâncias gerais em quatro classes, para peças feitas por remoção de material ou conformadas de chapa; por isso a indicação de tolerância geral no desenho precisa dizer qual classe vale. A parte 2, de tolerâncias geométricas gerais, foi cancelada no Brasil em 26 de junho de 2025 e substituída pela ABNT NBR ISO 22081:2025.[7][15][16]

Para encaixes entre furo e eixo, a norma brasileira de tolerâncias e ajustes é a ABNT NBR 6158:1995, feita para permitir a "escolha racional de tolerâncias e ajustes, visando a fabricação de peças intercambiáveis"; a ISO 286-1:2010 explica os princípios de furo-base e eixo-base.[17][8]

Tolerâncias de forma, orientação, posição e batimento seguem a ABNT NBR 6409:1997 e a ISO 1101:2017.[18][6]

A rugosidade e os demais requisitos de textura da superfície são indicados por símbolos gráficos conforme a ISO 21920-1:2021, que substituiu a ISO 1302:2002.[9]

Como informar o material, o tratamento térmico e o certificado?

Informe o material pela designação normalizada, como o aço 1045 citado no contrato da Marinha: a ABNT NBR NM 87:2000 dá a designação numérica dos aços carbono e ligados para construção mecânica conforme a composição química.[19][3]

Diga quem compra a barra. A matéria-prima pode vir do comprador: a Aeronáutica a entrega à oficina, e a Marinha a fornece sob medida para o ajuste final; quando não fornece, a oficina compra a preço de custo, com pesquisa de pelo menos três fornecedores aprovada antes do serviço.[4][3]

Informe o tratamento junto com a quantidade do lote: no contrato da Marinha, tratamento térmico e superficial é calculado por peça, pelo peso, pela liga ("uma tempera de aço 1045 é consideravelmente diferente de uma tempera em um aço ferramenta D6"), pelo tamanho e pela quantidade, porque há um preço mínimo de forno ou tanque, dividido entre as peças; por isso o contrato não fixa esse preço antes.[3]

Se precisa de certificado do aço, peça no pedido: a ISO 10474:2013 define os tipos de documento de inspeção entregues ao comprador na entrega de produtos de aço, conforme as exigências do pedido.[10]

Como a tornearia calcula o preço de uma peça usinada?

O preço de uma peça usinada soma horas de máquina e de técnico, material e serviços como tratamento e frete. No contrato da Aeronáutica, o orçamento traz as horas de cada maquinário, "o que inclui o tempo de preparação ou ajuste das máquinas - setup - e o tempo efetivo de produção", as horas do técnico e a matéria-prima do lote.[4][3]

Nesse contrato, o setup é orçado para o lote, não para cada peça, e tem linha própria.[4]

Na Marinha, a hora-máquina inclui o operador, as ferramentas, o material de consumo, os instrumentos de medição e o transporte, com os tributos; o material que a oficina compra é somado ao preço da peça. Na Aeronáutica, a hora inclui insumos, manutenção e operação das máquinas, e a matéria-prima vem do contratante.[3][4]

Prazo curto custa mais: a ata da Marinha, de maio de 2025, fixa a hora de torno CNC em R$ 120,00 no regime normal e em R$ 250,00 no urgente com domingos e feriados. Retífica e eletroerosão entram com a hora da própria máquina.[2]

No contrato da Marinha, o retrabalho fica com a oficina: as horas do resserviço não são pagas, e a matéria-prima da peça refeita é da contratada.[3]

Quanto custa a hora de usinagem?

Depende da máquina e do prazo. Dois contratos públicos dão preços datados de maio de 2025: a ata da Marinha em Niterói (RJ), com tributos incluídos, e o termo de referência da Aeronáutica para Lagoa Santa (MG), que não diz se os preços incluem tributos. São preços desses contratos, não uma média de mercado.[2][3][4]

Quanto custa a hora de usinagem?
ItemPreçoContrato
Torno CNC, regime normalR$ 120,00 por hora-máquina com operadorMarinha, ata nº 111/2025, maio de 2025
Torno CNC, urgente de segunda a sábadoR$ 205,00 por hora-máquinaMarinha, ata nº 111/2025
Torno CNC, urgente com domingos e feriadosR$ 250,00 por hora-máquinaMarinha, ata nº 111/2025
Torno pequeno e torno grande, regime normalR$ 65,00 e R$ 120,00 por hora-máquinaMarinha, ata nº 111/2025
Centro de usinagem, regime normalR$ 157,00 por hora-máquinaMarinha, ata nº 111/2025
Retificadora cilíndrica, regime normalR$ 168,00 por hora-máquinaMarinha, ata nº 111/2025
Setup de máquinaR$ 168,00 por horaAeronáutica, termo de referência nº 275/2024, maio de 2025
Hora-máquina convencional e de 5 eixosR$ 150,00 e R$ 250,00 por horaAeronáutica, termo de referência nº 275/2024
Reengenharia e scannerR$ 190,00 e R$ 120,00 por horaAeronáutica, termo de referência nº 275/2024

Fontes:[2][3][4]

Como comparar orçamentos de usinagem?

Peça as mesmas linhas a todas as oficinas e compare uma a uma; os contratos da Aeronáutica e da Marinha mostram o que cada linha deve informar.[4][3]

Como comparar orçamentos de usinagem?
LinhaO que a proposta deve informarPor quê
HorasHoras de cada máquina, com o setup separado da produção, e horas do técnicoA Aeronáutica exige horas de cada máquina, com setup e produção, e do técnico; o setup tem preço próprio
MaterialDesignação, quantidade de matéria-prima e quem compraNa Marinha, material comprado pela oficina vai a preço de custo, com pesquisa de pelo menos três fornecedores aprovada antes
TratamentosPreço por peça para a quantidade do loteA Marinha calcula por peso, liga, tamanho e quantidade
Desenho e ARTPreço do desenho, se a oficina desenha, e a ARTA Lei nº 6.496/1977 sujeita à ART os serviços de engenharia
InspeçãoInstrumentos com certificado de calibraçãoA Marinha exige os certificados de todos os instrumentos
Prazo e regimeData de entrega e regime normal ou urgenteO urgente custa mais por hora, como mostra a tabela acima
RetrabalhoQuem paga horas e material de uma peça refeitaA Marinha não paga as horas do resserviço
FreteColeta e entrega da peça e da amostraNos dois contratos, o transporte das peças fica com a oficina

Fontes:[4][3][2][5]

O que incluir na sua solicitação

  1. Desenho técnico cotado ou modelo 3D com as tolerâncias anotadas; sem desenho, a amostra para reengenharia e a data em que ela precisa voltar.[11][6][4]
  2. Tolerância individual nas cotas de encaixe, pelo sistema da ABNT NBR 6158, e a tolerância geral indicada com a norma e a classe (ABNT NBR ISO 2768-1).[17][14][7]
  3. Tolerâncias geométricas e rugosidade das superfícies funcionais, com os símbolos da ABNT NBR 6409, da ISO 1101 e da ISO 21920-1.[18][6][9]
  4. Material pela designação numérica da ABNT NBR NM 87 para aços carbono e ligados (o contrato da Marinha cita o aço 1045), e quem compra a barra: você ou a oficina.[19][3][4]
  5. Quantidade de peças do lote e se haverá novos lotes, com o setup cotado por lote.[4]
  6. Tratamento térmico ou superficial pedido (têmpera, revenimento, normalização, oxidação, galvanização, níquel químico ou eletrolítico), cotado por peça para a quantidade do lote.[3]
  7. Documentos de entrega: certificado do aço (ISO 10474) e certificados de calibração dos instrumentos de medição, de preferência de laboratório da RBC.[10][3][20]
  8. Data de entrega e regime de prazo, normal ou urgente, com o preço da hora em cada regime.[2]
  9. Proposta com preços discriminados: horas de máquina (setup e produção), horas de técnico, material, tratamentos, desenho com ART, frete e tributos.[4][3][5]
  10. Endereço de coleta e de entrega da peça e da amostra, e quem paga o frete.[3][4]

Perguntas de compradores

Dá para fazer a peça só com a amostra, sem desenho?

Sim, por reengenharia. No contrato da Aeronáutica de 2025, a reengenharia também pode ser pedida para peças sem desenho técnico: o comprador envia uma amostra, que volta no fim do processo, e o serviço é orçado e aprovado antes de começar. Se a oficina elaborar o desenho, peça a ART, que a Lei nº 6.496/1977 exige nos serviços de engenharia.[4][5]

Quanto tempo leva para receber o orçamento e a peça?

Depende da fila de máquinas, do material e das aprovações. No contrato da Aeronáutica, a oficina tem até 10 dias úteis para orçar depois de receber o desenho, o comprador tem 10 dias úteis para aprovar, e a data de produção é combinada conforme a disponibilidade das máquinas. Na Marinha, a produção só começa depois que o fiscal aprova o planejamento da oficina, e material comprado pela oficina exige antes uma pesquisa aprovada com pelo menos três fornecedores.[4][3]

Qual o prazo de calibração dos instrumentos da tornearia?

Não há prazo de calibração fixado pelo Inmetro: o instituto informa que não tem regulamento sobre periodicidade e que ela é definida pelo usuário do instrumento. A acreditação é voluntária; os laboratórios de calibração acreditados pela Cgcre formam a Rede Brasileira de Calibração (RBC), e um laboratório só "rastreado" não é acreditado. Se quiser certificados, exija no pedido, como faz a Marinha.[21][20][3]

Descreva o serviço.

Publique uma solicitação e os fornecedores que fazem esse trabalho podem responder.

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Fontes

  1. IBGE (Concla), CNAE 2.0 (CNAE-Subclasses 2.3), classe 25.39-0: serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais (notas explicativas e subclasse 2539-0/01, serviços de usinagem, tornearia e solda), acesso em novembro de 2026.
  2. Marinha do Brasil, Centro de Intendência da Marinha em Niterói (PNCP), Ata de Registro de Preços nº 111/2025, Pregão Eletrônico nº 90004/2024: serviço de usinagem para fabricação e reparos de peças em geral, por hora, maio de 2025.
  3. Marinha do Brasil, Centro de Intendência da Marinha em Niterói (PNCP), Edital do Pregão Eletrônico nº 90004/2024 (SRP), com o Termo de Referência nº 27/2025: serviços de usinagem para fabricação e reparos de peças em materiais metálicos, março de 2025.
  4. Comando da Aeronáutica, Centro Logístico da Aeronáutica (PNCP), Termo de Referência nº 275/2024: produção de lotes piloto e reengenharia de peças para as oficinas do Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa (contratação direta), maio de 2025.
  5. Câmara dos Deputados, Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977 (Anotação de Responsabilidade Técnica), dezembro de 1977.
  6. ISO, ISO 1101:2017, Geometrical product specifications (GPS): geometrical tolerancing, tolerances of form, orientation, location and run-out (resumo), fevereiro de 2017.
  7. ISO, ISO 2768-1:1989, General tolerances, Part 1: tolerances for linear and angular dimensions without individual tolerance indications (resumo), novembro de 1989.
  8. ISO, ISO 286-1:2010, Geometrical product specifications (GPS): ISO code system for tolerances on linear sizes, Part 1: basis of tolerances, deviations and fits (resumo), abril de 2010.
  9. ISO, ISO 21920-1:2021, Geometrical product specifications (GPS): surface texture, profile, Part 1: indication of surface texture (resumo), dezembro de 2021.
  10. ABNT Catálogo, ISO 10474:2013, Steel and steel products: inspection documents (resumo, em vigor), junho de 2013.
  11. ABNT Catálogo, ABNT NBR 17068:2022, Desenho técnico: requisitos para representação de dimensões e tolerâncias (resumo, em vigor), setembro de 2022.
  12. ABNT Catálogo, ABNT NBR 10126:1987, versão corrigida 1998, Cotagem em desenho técnico (cancelada com substituição em 28/09/2022 pela ABNT NBR 17068:2022), novembro de 1987.
  13. ABNT Catálogo, ABNT NBR 8404:1984, Indicação do estado de superfícies em desenhos técnicos (cancelada com substituição em 28/09/2022 pela ABNT NBR 17068:2022), março de 1984.
  14. ABNT Catálogo, ABNT NBR ISO 2768-1:2001, Tolerâncias gerais, Parte 1: tolerâncias para dimensões lineares e angulares sem indicação de tolerância individual (resumo, em vigor, confirmada em 2017), fevereiro de 2001.
  15. ABNT Catálogo, ABNT NBR ISO 2768-2:2001, Tolerâncias gerais, Parte 2: tolerâncias geométricas para elementos sem indicação de tolerância individual (cancelada com substituição em 26/06/2025 pela ABNT NBR ISO 22081:2025), fevereiro de 2001.
  16. ABNT Catálogo, ABNT NBR ISO 22081:2025, Especificações geométricas de produto (GPS): especificações geométricas gerais e especificações dimensionais gerais (resumo, em vigor), junho de 2025.
  17. ABNT Catálogo, ABNT NBR 6158:1995, Sistema de tolerâncias e ajustes (resumo, em vigor, confirmada em 2022), junho de 1995.
  18. ABNT Catálogo, ABNT NBR 6409:1997, Tolerâncias geométricas: tolerâncias de forma, orientação, posição e batimento (resumo, em vigor, confirmada em 2022), maio de 1997.
  19. ABNT Catálogo, ABNT NBR NM 87:2000, Aço carbono e ligados para construção mecânica: designação e composição química (resumo, em vigor, confirmada em 2022), outubro de 2000.
  20. Inmetro, Perguntas frequentes, acreditação: qual a definição de laboratórios acreditados x laboratórios rastreados?, janeiro de 2026.
  21. Inmetro, Perguntas frequentes, acreditação: como obter informações sobre periodicidade de calibração?, maio de 2022.