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Certificado de soldador: o que são EPS, RQPS e RQS e o que o contratante deve exigir antes da solda

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Em resumo

O RQS, que acompanha o certificado de qualificação do soldador, atesta a aprovação num teste por um código (ASME IX, AWS D1.1 ou API 1104) e só vale nos limites de qualificação. A solda segue uma EPS qualificada por um RQPS. Em reparo de caldeira ou vaso de pressão, a NR-13 exige o código de construção na qualificação de pessoal.

O que é o certificado de soldador?

Na solda feita conforme um código, a qualificação do soldador fica registrada no RQS (registro de qualificação de soldador), que pode vir com um certificado de qualificação do soldador (CQS). Uma empresa de inspeção e qualificação de soldagem descreve o RQS como o documento que atesta a habilidade de um soldador em executar soldagens específicas, conforme procedimentos qualificados e normas como a ASME Seção IX, a AWS D1.1 e a API 1104, e oferece a qualificação de soldadores (RQS) com o CQS.[8]

O RQS só vale dentro dos limites de qualificação. No exame de inspetor de soldagem da FBTS, o candidato monta a relação de soldadores e operadores qualificados "a partir dos limites de qualificação obtidos pela norma ASME IX" e, antes de liberar a solda, precisa "verificar se o soldador está qualificado para a situação apresentada".[5]

Certificado de curso é outra coisa. Na NR-18, profissional qualificado é o "trabalhador que comprove conclusão de curso específico na sua área de atuação, reconhecido pelo sistema oficial de ensino"; já o RQS registra um teste de soldagem feito conforme um código.[2][8]

Qual a diferença entre EPS, RQPS e RQS?

São registros diferentes, e o contratante precisa de todos: a EPS diz como soldar a junta, o RQPS registra o teste que qualificou esse procedimento e o RQS atesta que o soldador sabe executar a soldagem conforme procedimentos qualificados.[6][5][8]

Qual a diferença entre EPS, RQPS e RQS?
DocumentoO que éO que conferir
EPS, especificação do procedimento de soldagemO procedimento com os dados técnicos da soldagem; o número da EPS consta na instrução de execução e inspeção de soldagem (IEIS) de cada juntaSe cada tipo de junta do serviço tem EPS
RQPS, registro de qualificação do procedimento de soldagemO registro do teste do procedimento: os corpos de prova passam por ensaios, como tração e dobramento, julgados por um critério de aceitaçãoSe o procedimento foi aprovado nos ensaios e se é o mesmo da EPS usada
RQS, registro de qualificação de soldador, com o CQS (certificado de qualificação do soldador)O registro do teste do soldador, que atesta a habilidade para soldagens específicas conforme procedimentos qualificados e um códigoNome do soldador, código e limites de qualificação, comparados com a junta
Relação de soldadores qualificados e controle de desempenhoA lista dos soldadores e operadores aptos para o serviço, montada a partir dos limites de qualificação do código (a ASME IX, no exame da FBTS), e o controle de desempenho de cada umSe a relação e o controle estão atualizados para a obra

Fontes:[6][5][8]

Qual código qualifica o soldador em cada tipo de serviço?

Na lista de normas do exame de inspetor de soldagem nível 2 da FBTS, o código complementar de qualificação de procedimentos e soldadores é a ASME IX para os vasos da ASME Seção VIII e as tubulações B31.1 e B31.3, e a ASME IX com a API 1104 para os dutos B31.4 e B31.8; a AWS D1.1 não tem complementar na lista. A coluna do meio resume o escopo que a ASME e a AWS dão a cada código.[4][10][15]

Qual código qualifica o soldador em cada tipo de serviço?
Código de construçãoEscopoQualificação de procedimentos e soldadores
ASME Seção VIII, Divisões 1 e 2Vasos de pressão; a Divisão 1 traz regras de projeto, fabricação, inspeção, teste e certificação de vasos que operam acima de 15 psigASME IX
ASME B31.1Tubulação de usinas de energia, plantas industriais e sistemas de aquecimento e resfriamentoASME IX
ASME B31.3Tubulação de processo das indústrias de petróleo, química, farmacêutica, hidrogênio, papel e celulose e geração de energiaASME IX
ASME B31.4Dutos de transporte de líquidos e de polpas (slurry)ASME IX e API 1104
ASME B31.8Dutos de transporte e distribuição de gásASME IX e API 1104
AWS D1.1Estruturas soldadas de aços-carbono e de baixa liga usuais na construçãoA própria AWS D1.1 (sem código complementar na tabela)

Fontes:[4][10][11][12][13][14][15][8]

O que a NR-13 exige quando há solda em caldeira ou vaso de pressão?

No Brasil, a NR-13 manda que "todos os reparos ou alterações" nos equipamentos que ela abrange respeitem os códigos de construção e as prescrições do fabricante quanto a materiais, procedimentos de execução, procedimentos de controle de qualidade e "qualificação e certificação de pessoal" (item 13.3.7).[1]

Quando as condições de projeto mudam ou o reparo pode comprometer a segurança, é preciso um projeto de alteração ou reparo prévio, concebido ou aprovado por profissional legalmente habilitado (PLH), que determine materiais, procedimentos de execução, controle de qualidade e qualificação de pessoal (itens 13.3.7.3 e 13.3.7.4).[1]

Para a solda em si, o item 13.3.7.5 determina que "todas as intervenções que exijam mandrilamento ou soldagem em partes que operem sob pressão devem ser objeto de exames ou testes para controle da qualidade com parâmetros definidos por PLH, de acordo com códigos ou normas aplicáveis".[1]

Depois de reparo ou alteração importante, capaz de alterar as condições de segurança, a caldeira ou o vaso de pressão passa por inspeção de segurança extraordinária (itens 13.4.4.10 e 13.5.4.10, alínea b).[1]

O prontuário que o fabricante fornece deve trazer o código de construção com o ano de edição e os "procedimentos utilizados na fabricação, montagem e inspeção final" (itens 13.4.1.5 e 13.5.1.5).[1]

Contratado como serviço de engenharia, o projeto de reparo fica sujeito à ART: pela Lei nº 6.496/1977, "todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia" fica sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica (art. 1º).[3]

Quem pode certificar um soldador?

A NR-13 não nomeia um certificador de soldadores: em reparos e alterações, ela remete a qualificação e a certificação de pessoal ao código de construção do equipamento e às prescrições do fabricante (item 13.3.7, alínea d).[1]

Na prática, quem confere o soldador no serviço é o inspetor de soldagem: no exame da FBTS, ele verifica se o soldador está qualificado para a situação antes de autorizar o início da soldagem e elabora o controle de desempenho dos soldadores.[5]

A FBTS, Fundação Brasileira de Tecnologia da Soldagem, certifica inspetores de soldagem nos níveis 1 e 2 pela norma NBR 14842, como organismo de certificação de pessoas, acreditado pela Cgcre do Inmetro em abril de 1992. A certificação é voluntária, vale cinco anos, e o nome de cada profissional certificado aparece na relação publicada no site da FBTS.[4]

Ensaios não destrutivos da solda, como o ultrassom, têm certificação própria: a Abendi mantém o SNQC, sistema nacional de qualificação e certificação de pessoas em END, acreditado pelo Inmetro desde novembro de 1997 e registrado no acordo multilateral de reconhecimento (MRA) do ICNDT.[7]

Como conferir se o soldador está qualificado para a junta?

Compare a junta com os limites de qualificação de cada soldador. No exame de nível 2 da FBTS, o candidato preenche a IEIS da junta (número da EPS, especificação e número P do metal de base, espessura e croqui) e, a partir dos limites de qualificação da ASME IX, monta a relação de soldadores e operadores qualificados.[5]

Antes da solda, o inspetor de soldagem confere se as condições ambientais, a segurança, os equipamentos de soldagem, os instrumentos de medição e os consumíveis estão de acordo com o procedimento, se a junta está na posição especificada e se o soldador está qualificado para a situação; é assim que a FBTS cobra essa etapa no exame de nível 1.[5]

A instrução de soldagem do exame de nível 1 da FBTS pede que a soldagem seja executada por soldadores qualificados, que portem identificação visível, e que aparelhos e instrumentos de medição estejam calibrados e dentro do prazo de validade, com etiqueta de calibração no próprio aparelho.[6]

O que incluir na sua solicitação

  1. O equipamento ou a estrutura, o código de construção com o ano de edição (em caldeira e vaso de pressão da NR-13, o que consta no prontuário) e o código de qualificação esperado: ASME IX, AWS D1.1 ou API 1104.[1][4]
  2. As juntas: especificação e número P do metal de base, espessura, croqui e posição de soldagem.[5]
  3. A EPS de cada tipo de junta e o RQPS que a qualifica, com os ensaios (tração, dobramento) aprovados pelo critério de aceitação.[6][5]
  4. O RQS de cada soldador escalado e a relação de soldadores qualificados para o serviço, com o controle de desempenho atualizado.[8][5]
  5. Inspetor de soldagem nível 1 ou 2, com certificação FBTS pela NBR 14842 dentro dos cinco anos de validade, conferida na relação publicada pela FBTS.[4]
  6. Ensaios não destrutivos: método, extensão e profissional certificado pelo SNQC da Abendi.[7]
  7. Em caldeira, vaso de pressão, tubulação ou tanque da NR-13: projeto de reparo concebido ou aprovado por PLH quando o reparo puder comprometer a segurança ou mudar as condições de projeto, exames ou testes com parâmetros definidos por PLH em toda solda em partes sob pressão, e a ART.[1][3]
  8. Em caldeira ou vaso de pressão, inspeção de segurança extraordinária depois de reparo ou alteração importante capaz de alterar as condições de segurança, com relatório e anotação no registro de segurança.[1]
  9. Solda em obra: análise de risco de trabalho a quente quando houver materiais combustíveis ou inflamáveis no entorno ou área sem isolamento prévio e não destinada a esse fim, inspeção preliminar do local e observador, se a análise pedir (NR-18, itens 18.7.6.2 a 18.7.6.5).[2]
  10. Proposta com itens separados para qualificação de soldadores, qualificação de procedimento com ensaios, inspeção de soldagem e END.[5][8][7]

Perguntas de compradores

O certificado de soldador tem validade?

A NR-13 não fixa prazo para a qualificação nem para o certificado do soldador: em reparos e alterações, remete a qualificação e certificação de pessoal ao código de construção e às prescrições do fabricante (item 13.3.7). O prazo e as condições para manter a qualificação estão no código e na edição citados no RQS, como ASME IX ou AWS D1.1, de texto pago. Peça ao fornecedor o item do código e o controle de desempenho de cada soldador.[1][8][5][9][15]

Curso de soldador com certificado vale como qualificação?

Depende da qualificação exigida. Na NR-18, profissional qualificado é quem comprova curso específico na sua área, reconhecido pelo sistema oficial de ensino. O RQS é outra coisa: registra um teste de soldagem por um código, para soldagens específicas conforme procedimentos qualificados. Para solda feita por código, peça o RQS.[2][8]

Quem assina o projeto de reparo de um vaso de pressão?

Um profissional legalmente habilitado (PLH), com competência legal de engenheiro para projeto de construção, acompanhamento da operação e da manutenção e inspeção desses equipamentos. O projeto de alteração ou reparo deve ser concebido ou aprovado por ele e determinar materiais, procedimentos, controle de qualidade e qualificação de pessoal (itens 13.3.2 e 13.3.7.4). Contratado como serviço de engenharia, fica sujeito à ART.[1][3]

A certificação de inspetor de soldagem é obrigatória?

A FBTS informa que a certificação de inspetores de soldagem pela NBR 14842 tem caráter voluntário. Ela vale cinco anos, e a recertificação deve ser pedida antes do fim da validade. Se o contrato exigir inspetor certificado, confira o nome na relação de profissionais certificados que a FBTS publica.[4]

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Fontes

  1. Ministério do Trabalho e Emprego, NR-13: caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques metálicos de armazenamento (texto vigente, redação da Portaria MTP nº 1.846/2022, última modificação pela Portaria MTP nº 4.219/2022), dezembro de 2022.
  2. Ministério do Trabalho e Emprego, NR-18: segurança e saúde no trabalho na indústria da construção (texto vigente, última modificação pela Portaria MTE nº 836/2026), maio de 2026.
  3. Câmara dos Deputados, Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977 (Anotação de Responsabilidade Técnica), dezembro de 1977.
  4. FBTS, Fundação Brasileira de Tecnologia da Soldagem, Guia do Candidato: Sistema Nacional de Qualificação e Certificação de Inspetores de Soldagem (revisão 26), setembro de 2026.
  5. FBTS, Fundação Brasileira de Tecnologia da Soldagem, IIB-004: Exames de Qualificação, Nível 1 e Nível 2, instruções aos candidatos (revisão 11), julho de 2026.
  6. FBTS, Fundação Brasileira de Tecnologia da Soldagem, IICE-005: Instrução de Soldagem (revisão 2), julho de 2026.
  7. Abendi, Certificação: Sistema Nacional de Qualificação e Certificação de Pessoas (SNQC), setembro de 2026.
  8. InspeSolda (empresa de inspeção e qualificação de soldagem, Osasco), Registro de Qualificação de Soldador, maio de 2025.
  9. ASME, BPVC Section IX: Welding, Brazing, and Fusing Qualifications (edição 2025), 2025.
  10. ASME, BPVC Section VIII: Rules for Construction of Pressure Vessels, Division 1 (edição 2025), 2025.
  11. ASME, B31.1: Power Piping (edição 2026), 2026.
  12. ASME, B31.3: Process Piping (edição 2024), 2024.
  13. ASME, B31.4: Pipeline Transportation Systems for Liquids and Slurries (edição 2025), 2025.
  14. ASME, B31.8: Gas Transmission and Distribution Piping Systems (edição 2025), 2025.
  15. American Welding Society (AWS), D1.1/D1.1M:2025-AMD1, Structural Welding Code: Steel, 2025.