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Locação de guindaste: como pedir cotação, o que exigir da locadora e como comparar propostas

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Em resumo

Na locação de guindaste, informe o peso real da carga, o raio, a altura, o solo e as interferências, ou as cotações não serão comparáveis. Exija a tabela de cargas, o cartão do operador e, em obra, o plano de carga. Compare as propostas item a item: hora ou diária, mínimo, mobilização, operador, sinaleiro e hora parada.

O que informar para pedir cotação de guindaste?

Para pedir cotação de guindaste, informe o peso real da carga, o raio e a altura do içamento, onde o guindaste vai patolar e o que há no caminho, porque a capacidade depende do raio, da lança e do solo, não da tonelagem nominal.[3][7]

O peso precisa ser conhecido: em obra, a NR-18 proíbe a "movimentação de cargas com peso desconhecido" (item 18.10.1.29, alínea c). E a tabela de cargas de um fabricante para um guindaste de 50 t lembra que o peso do moitão e do gancho faz parte da carga.[3][7]

A capacidade cai depressa com o raio, medido a partir do centro de giro: nessa tabela, o guindaste de 50 t, sobre patolas, com 9 t de contrapeso e giro de 360°, ergue 42 t a 3 m, 13,4 t a 10 m e 4,4 t a 20 m de raio.[7]

A NR-18 exige que o operador de guindaste seja treinado nas "condições que afetam a capacidade de carga da máquina, em especial quanto ao nivelamento, características da superfície sob a máquina, carga dinâmica e vento" (Anexo I, item 2.1, alínea d, inciso III): são essas as condições do seu local que a locadora precisa conhecer.[3]

Quais documentos exigir da locadora de guindaste?

Em qualquer local de trabalho, a NR-11 e a NR-12 exigem a carga máxima indicada no guindaste, o cartão e a capacitação do operador e o registro de manutenção; em obra de construção, a NR-18 soma tabela de cargas na cabine, plano de carga, sinaleiro capacitado, acessórios identificados e listas de verificação diárias.[1][2][3]

Quais documentos exigir da locadora de guindaste?
DocumentoO que a norma dizOnde está
Tabela de cargasCarga máxima de trabalho indicada em lugar visível; em obra, tabela de cargas máximas em todas as condições de uso, em português, dentro da cabineNR-11, item 11.1.3.2; NR-18, item 18.10.1.25, alínea e
Cartão de identificação do operadorCom nome e fotografia, portado durante o trabalho; validade de 1 ano, renovada após exame de saúde completo pago pelo empregadorNR-11, itens 11.1.6 e 11.1.6.1
Capacitação do operadorTreinamento específico dado pela empresa; em obra, 120 horas iniciais (pelo menos 80 de prática) e estágio supervisionado de 90 dias, dispensável com 6 meses de experiência comprovadaNR-11, item 11.1.5; NR-18, Anexo I, itens 1.1 a 1.2.1
Capacitação do sinaleiro/amarrador de cargasEm obra, 16 horas iniciais e reciclagem a cada 2 anos; obrigatório quando o operador não vê a carga em todo o percursoNR-18, item 18.10.1.30 e Anexo I
Plano de cargaEm obra, elaborado por profissional legalmente habilitado e contemplado no PGR, com croqui da área, isolamento, acessórios de içamento e listas de verificaçãoNR-18, itens 18.10.1.16 e 18.10.1.17
ARTTodo contrato de serviço profissional de engenharia fica sujeito à Anotação de Responsabilidade TécnicaLei nº 6.496/1977, art. 1º
Registro de manutençãoIntervenções, datas, peças trocadas, indicação conclusiva sobre a segurança da máquina e nome do responsávelNR-12, item 12.11.2
Identificação dos acessórios de içamentoLingas, manilhas e similares marcados com fabricante ou locador, capacidade e número de série, com certificado ou projeto de profissional legalmente habilitadoNR-18, item 18.10.1.27
Listas de verificação diáriasInspeção diária registrada do guindaste pelo operador e dos acessórios pelo sinaleiro/amarradorNR-18, item 18.10.1.32
AETGuindaste autopropelido ou sobre caminhão fora dos limites do Contran pode receber autorização especial de trânsito com prazo de seis mesesCTB, art. 101, § 3º

Fontes:[1][2][3][5][6]

Que dispositivos de segurança e regras de operação valem para o guindaste?

Em obra, a NR-18 exige que guindastes tenham "limitador de momento máximo, impedindo a continuidade do movimento e só permitindo a sua reversão", anemômetro com leitura na cabine e indicadores de nível longitudinal e transversal (item 18.10.1.26).[3]

Valem também os itens exigidos de todo equipamento de guindar, como limitador de carga máxima, limitador de altura do moitão, alarme automático quando o limitador atua e trava de segurança no gancho (item 18.10.1.24).[3]

Em qualquer local de trabalho, a NR-11 manda indicar a carga máxima de trabalho em lugar visível e inspecionar cabos de aço, correntes, roldanas e ganchos "permanentemente, substituindo-se as suas partes defeituosas" (itens 11.1.3.2 e 11.1.3.1).[1]

Na operação em obra, a NR-18 proíbe a circulação ou permanência de pessoas estranhas sob a carga suspensa, o içamento inclinado ou de arraste e o trabalho em condições climáticas adversas (item 18.10.1.29). A estabilidade do guindaste e da superfície onde ele trabalha deve atender às recomendações do fabricante ou de profissional legalmente habilitado (item 18.10.1.20).[3]

Quem responde pela segurança do içamento, a contratante ou a locadora?

As duas: a NR-01 manda o PGR da organização contratante incluir as medidas de prevenção para as contratadas que atuem em suas dependências, ou utilizar os programas delas (item 1.5.8.1).[4]

A contratante deve informar à locadora os riscos sob sua responsabilidade que possam afetar o serviço, e a locadora deve informar os seus à contratante (itens 1.5.8.2 e 1.5.8.3).[4]

Quando os riscos vêm da interação entre as atividades, "as medidas de prevenção devem ser definidas em conjunto, sob a coordenação da organização contratante" (item 1.5.8.4).[4]

Em obra, o plano de carga deve ser "elaborado por profissional legalmente habilitado e contemplado no PGR" (NR-18, item 18.10.1.16) e ficar no canteiro com os registros de manutenção e os comprovantes de capacitação do operador e do sinaleiro (item 18.10.1.23).[3]

Contratado como serviço de engenharia, o plano fica sujeito à ART, porque a Lei nº 6.496/1977 sujeita a ela todo contrato de "prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia" (art. 1º); a ART "define para os efeitos legais os responsáveis técnicos" (art. 2º).[5]

Como comparar propostas de locação de guindaste?

Compare propostas pela capacidade no raio pedido e pelos mesmos itens de cobrança, porque o preço da hora sozinho esconde o que ficou de fora. As condições gerais publicadas por uma locadora de equipamento com operador no Brasil (revisão 4, de junho de 2019) deixam fora do valor os impostos, a hora extra em dia útil antes das 8h, depois das 16h e após 8 horas no dia, e a montagem e mobilização e a desmontagem e desmobilização, cobradas à parte pelas taxas horárias da locadora. No serviço por hora, cobram "o tempo de cada viagem, instalação, pane e entrada e saída de portal para portal", com mínimo diário conforme o equipamento (cláusulas 4.1 e 4.2).[8][7]

O que fica com o cliente também é custo e entra na comparação. Nessas condições, cabe ao cliente informar pesos e dimensões corretos, preparar acesso e área de montagem, fornecer chapeamento ou área recompactada, cuidar da amarração das cargas, obter alvarás e licenças, identificar estruturas subterrâneas e linhas de transmissão e responder pela resistência do solo (cláusulas 5.2, 10 e 11.1).[8]

Peça que a proposta diga se o operador e o sinaleiro/amarrador estão incluídos: a NR-18 exige sinaleiro sempre que o operador não consegue ver a carga em todo o percurso (item 18.10.1.30).[3]

Peça também o preço da hora parada: o SINAPI separa a hora produtiva (CHP) da hora improdutiva (CHI), em que o guindaste fica à disposição do serviço com o motor desligado.[10][11]

O que entra no custo por hora de um guindaste?

No SINAPI, o custo por hora do guindaste inclui o operador e não tem item de mobilização; a hora produtiva (CHP) soma manutenção e materiais na operação, que a hora improdutiva (CHI) não tem. A tabela ORSE, de Sergipe, traz o aluguel de caminhão munck com operador. São custos para orçamento, não preço de locadora.[9][10][11][12]

O que entra no custo por hora de um guindaste?
ReferênciaEquipamentoO que o valor inclui
SINAPI 93287, CHPGuindaste hidráulico autopropelido, lança telescópica de 40 m, capacidade máxima de 60 t, 260 kWDepreciação, juros, manutenção, materiais na operação, impostos e seguros e o operador (SINAPI 88296)
SINAPI 93288, CHIO mesmo guindaste de 60 t, à disposição com o motor desligadoDepreciação, juros, impostos e seguros e o operador
SINAPI 89272, CHPGuindaste hidráulico autopropelido, lança telescópica de 28,80 m, capacidade máxima de 30 t, 97 kWDepreciação, juros, manutenção, materiais na operação, impostos e seguros e o operador
ORSE-14041 (07/2026)Aluguel de caminhão munck 40 toneladas, como a ORSE o descreve, em Aracaju, 8 horas trabalhadas por diaOperador incluído; R$ 200,00 por hora

Fontes:[9][10][11][12]

O que incluir na sua solicitação

  1. Carga: descrição, peso em toneladas, dimensões e pontos de içamento.[3][8]
  2. Raio na pega e no destino, medido de onde o guindaste pode ficar, e altura que a carga precisa alcançar ou transpor.[7]
  3. Solo sob as patolas (piso, aterro, laje ou tubulações próximas), espaço para montagem e interferências: redes elétricas e outros equipamentos de guindar.[8][3]
  4. Data, horário de trabalho, número de içamentos e acesso ao local, com limites de largura e altura.[8][6]
  5. Se for obra de construção: plano de carga de profissional legalmente habilitado, exigido pela NR-18, com a ART desse serviço.[3][5]
  6. Tabela de cargas para o raio e a lança previstos e registro de manutenção com a indicação conclusiva sobre a segurança da máquina.[1][2]
  7. Cartão do operador dentro da validade de 1 ano, comprovantes de capacitação do operador e do sinaleiro e identificação das lingas e manilhas.[1][3]
  8. Proposta discriminada por item: hora ou diária, mínimo, hora parada, hora extra, mobilização e desmobilização, operador, sinaleiro, acessórios, AET quando houver e impostos.[8][11][6]

Perguntas de compradores

Qual a diferença entre guindaste, munck e grua?

Pelas definições da NR-18, guindaste é o equipamento de guindar para elevar e movimentar cargas e materiais pesados, e grua tem lança de giro horizontal apoiada numa torre. O Anexo XII da NR-12 define o guindaste veicular: equipamento hidráulico veicular com braço móvel articulado, telescópico ou misto, destinado a elevar cargas. A tabela pública ORSE, de Sergipe, lista o caminhão munck como item próprio, alugado por hora com operador.[3][2][12]

O guindaste precisa de AET para chegar à obra?

Se o veículo passar dos limites de peso e dimensões do Contran, sim: o Código de Trânsito só deixa transitar o veículo dentro desses limites (art. 99) e prevê a autorização especial de trânsito para o que passa deles (art. 101); para guindastes autopropelidos ou sobre caminhões ela pode ser concedida com prazo de seis meses (§ 3º). Pergunte se a AET está na proposta.[6]

Quanto custa a diária de um guindaste?

As duas referências públicas citadas aqui, o SINAPI e a ORSE, são por hora: a ORSE de 07/2026 traz o aluguel de "caminhão munck 40 toneladas", como ela o descreve, em Aracaju, a R$ 200,00 por hora, com 8 horas trabalhadas por dia. As condições gerais de uma locadora aplicam um mínimo diário conforme o equipamento. Peça na proposta quantas horas a diária inclui e o preço da hora excedente.[10][12][8]

Preciso de plano de carga fora de obra?

A NR-11, que vale fora da obra, não fala em plano de carga; a exigência expressa de plano feito por profissional legalmente habilitado está na NR-18, que trata da construção (item 18.10.1.16). Fora da obra, o içamento entra no gerenciamento de riscos, e o PGR da contratante deve incluir as medidas de prevenção para as contratadas que atuam no local (NR-01, item 1.5.8.1).[3][1][4]

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Fontes

  1. Ministério do Trabalho e Emprego, NR-11: transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais (texto vigente, última alteração pela Portaria MTPS nº 505/2016), abril de 2016.
  2. Ministério do Trabalho e Emprego, NR-12: segurança no trabalho em máquinas e equipamentos (texto vigente, última alteração pela Portaria MTE nº 344/2024), março de 2024.
  3. Ministério do Trabalho e Emprego, NR-18: segurança e saúde no trabalho na indústria da construção (redação da Portaria SEPRT nº 3.733/2020, última alteração pela Portaria MTE nº 836/2026), maio de 2026.
  4. Ministério do Trabalho e Emprego, NR-01: disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais (texto vigente, última alteração pela Portaria MTE nº 765/2025), maio de 2025.
  5. Câmara dos Deputados, Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977 (Anotação de Responsabilidade Técnica), dezembro de 1977.
  6. Câmara dos Deputados, Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro), texto atualizado, setembro de 1997, texto atualizado.
  7. Liebherr-Werk Ehingen, LTM 1050-3.1 mobile crane: technical data and load charts, 2023.
  8. Mammoet, Termos e Condições Gerais: Equipamento com Operador e Manutenção (Brasil, Rev. 4), junho de 2019.
  9. Orcamentor (espelho da base SINAPI), Composição SINAPI 89272: guindaste hidráulico autopropelido, lança telescópica 28,80 m, capacidade máxima 30 t, CHP diurno, setembro de 2026 (base SINAPI 09/2026).
  10. Orcamentor (espelho da base SINAPI), Composição SINAPI 93287: guindaste hidráulico autopropelido, lança telescópica 40 m, capacidade máxima 60 t, CHP diurno, setembro de 2026 (base SINAPI 09/2026).
  11. Orcamentor (espelho da base SINAPI), Composição SINAPI 93288: guindaste hidráulico autopropelido, lança telescópica 40 m, capacidade máxima 60 t, CHI diurno, setembro de 2026 (base SINAPI 09/2026).
  12. Orcamentor (base ORSE), Composição ORSE-14041: aluguel de caminhão munck 40 toneladas, operação em Aracaju, 8 h por dia, com operador, julho de 2026 (referência 07/2026).