Pintura industrial: como especificar jateamento, esquema de tintas e inspeção, e por que a areia é proibida
Em resumo
Uma pintura industrial se especifica pelo grau de preparo da superfície (como Sa 2½), pelo esquema de tintas, com a espessura seca de cada demão, escolhido para o ambiente (ISO 12944), e pelos ensaios de inspeção. No Brasil, jatear com areia, seca ou úmida, é proibido pelo item 7 do Anexo nº 12 da NR-15 (Portaria SIT nº 99/2004).
Headcore9 min de leitura19 fontes
O que especificar numa pintura industrial?
Três coisas: o preparo da superfície, o esquema de pintura escolhido para o ambiente e a inspeção. É a divisão da ISO 12944, a série internacional de proteção anticorrosiva de estruturas de aço por pintura: a parte 4 trata dos tipos de superfície e do preparo, a parte 5 dos esquemas de pintura, a parte 7 da execução e da fiscalização do serviço e a parte 8 de como escrever a especificação de obra nova e de manutenção, com as áreas de referência para avaliar a qualidade do serviço e o desempenho do esquema. Veja também caldeiraria.[14][15][16][17]
No Brasil, o preparo do aço-carbono por jateamento segue a ABNT NBR 7348:2025, publicada em 17 de janeiro de 2025 em substituição à edição de 2017; ela cobre o jateamento abrasivo seco ou úmido e o hidrojateamento a ultra-alta pressão, acima de 30.000 psi.[5]
O jateamento com areia é proibido?
Sim. No Brasil, o item 7 do Anexo nº 12 da NR-15, no título "sílica livre cristalizada", diz: "Fica proibido o processo de trabalho de jateamento que utilize areia seca ou úmida como abrasivo."[2][1]
O item entrou na NR-15 pela Portaria nº 99, de 19 de outubro de 2004, da Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, publicada no Diário Oficial da União de 21 de outubro de 2004; pelo art. 2º, ela entrou em vigor 90 dias depois da publicação.[1]
A portaria dá os motivos da proibição: o jateamento com areia gera "elevada concentração de sílica cristalina (quartzo)", responsável por "alta incidência de quadros graves de silicose"; a sílica cristalina é cancerígena; as medidas de controle nessa atividade são "comprovadamente inadequadas ou insuficientes"; e existe tecnologia para substituir o processo. Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná já tinham proibido o jateamento com areia.[1]
O que a NR-15 proíbe é a areia como abrasivo, não o jateamento: o resumo em inglês da ABNT NBR 7348:2025 trata do jateamento abrasivo com materiais que atendam à legislação vigente.[2][5]
Na construção, reparação e desmonte naval, a NR-34 vai além: proíbe "o jateamento de areia ou a utilização de materiais que contenham concentração de sílica superior ao permitido pela legislação vigente" (item 34.8.13) e torna obrigatório o equipamento de adução por linha de ar comprimido nas atividades de jateamento (item 34.8.11).[3]
Qual grau de jateamento pedir: Sa 2, Sa 2½ ou Sa 3?
O grau que o esquema de pintura pede: a ISO 12944-5:2019 orienta a escolha do esquema junto com o grau de preparo da superfície. A ISO 8501-1:2007 define, por descrição e fotografias, os graus de enferrujamento e de preparo da superfície de aço, para jateamento, limpeza com ferramentas manuais e mecânicas e limpeza a chama. Um grau mais alto custa mais porque a equipe rende menos e gasta mais abrasivo, como mostram as composições com granalha de aço do SICRO, o sistema de custos de obras do DNIT, para São Paulo em abril de 2026.[15][12][19]
| Serviço no SICRO (código) | Produção da equipe | Abrasivo | Custo unitário direto, São Paulo, abril de 2026 |
|---|---|---|---|
| Jateamento grau Sa 2 (2408069) | 21,37 m² por hora | 0,147 kg de granalha de aço por m² | R$ 6,44 por m² |
| Jateamento grau Sa 2½ (2419790) | 11,83 m² por hora | 0,266 kg de granalha de aço por m² | R$ 11,64 por m² |
| Jateamento grau Sa 2½ em espaço confinado (2407976) | 11,83 m² por hora | 0,266 kg de granalha de aço por m², com ar respirável, detector de gases, tripé e ventilador | R$ 13,39 por m² |
| Jateamento grau Sa 3 (2408068) | 7,59 m² por hora | 0,414 kg de granalha de aço por m² | R$ 18,13 por m² |
| Hidrojateamento grau WJ-2 (2407973) | 7,26 m² por hora | Sem abrasivo | R$ 60,76 por m² |
Como escolher o esquema de pintura e a espessura?
Pelo ambiente. A ISO 12944-2:2017 classifica a corrosividade atmosférica pela perda de massa de corpos de prova padrão, tem categorias à parte para estruturas imersas em água ou enterradas e trata das solicitações especiais que aceleram a corrosão.[13]
A ISO 12944-5:2019 dá as diretrizes para escolher o esquema de pintura conforme o ambiente, exceto a categoria CX e a Im4, o grau de preparo da superfície e a durabilidade esperada. Por isso a especificação diz a categoria do ambiente, a durabilidade pretendida, o grau de preparo e cada demão com o tipo de tinta e a espessura seca em micrômetros.[15][19]
Um esquema completo do SICRO de São Paulo, abril de 2026, para estruturas metálicas navais (composição 7107384), mostra o formato: hidrojateamento grau WJ-2, duas demãos de fundo epóxi poliamida de 160 µm e duas demãos de acabamento em poliuretano acrílico de 70 µm, 460 µm de espessura seca no total, a R$ 121,40 por m² de custo unitário direto.[19]
Sobre aço galvanizado, com zinco novo ou envelhecido, o esquema segue a ABNT NBR 16733:2019.[10]
Quanto custa a pintura industrial por m²?
No SICRO de São Paulo, abril de 2026, o custo unitário direto de uma demão de tinta vai de R$ 3,65 por m² (esmalte sintético de 30 µm) a R$ 49,25 (fundo epóxi de 120 µm com pistola a ar comprimido), e o jateamento grau Sa 2½ com granalha custa R$ 11,64 por m².[19]
O tipo de tinta muda o custo: no SICRO de São Paulo, abril de 2026, as duas composições de epóxi de 120 µm com pistola a ar comprimido têm a mesma equipe e a mesma produção, 49,80 m² por hora, e custam R$ 9,69 e R$ 49,25 por m², porque o litro da tinta entra a R$ 53,38 numa e a R$ 300,84 na outra.[19]
A forma de aplicar também: na mesma referência de São Paulo, abril de 2026, com pistola airless, as composições de fundo epóxi poliamida de 160 µm (R$ 16,35 por m²) e de acabamento em poliuretano acrílico de 70 µm (R$ 13,97) rendem 143,75 m² por hora.[19]
O SINAPI, o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, tem composições para o serviço feito em fábrica. Na referência de setembro de 2026, São Paulo, sem desoneração, o jateamento abrasivo com granalha de aço em perfil metálico custa R$ 25,61 por m² (composição 100716), e cada demão de tinta epóxi pulverizada sobre perfil, R$ 30,02 no fundo (100727) e R$ 23,01 no acabamento (100729).[18]
As composições de pintura do SICRO somam equipamento, mão de obra, tinta e o transporte da tinta. Andaime, acesso, custos indiretos e lucro da empresa não fazem parte delas: peça esses itens em linhas separadas na proposta.[19]
Como inspecionar a pintura industrial?
Com um ensaio de norma para cada etapa. No Brasil, a ABNT NBR 15185:2023 trata da inspeção visual de superfícies de aço-carbono que vão receber pintura anticorrosiva, com ou sem pintura anterior; a ABNT NBR 15488:2024, da determinação do perfil de rugosidade; a ABNT NBR 10443:2023, da espessura da película seca, por métodos não destrutivos; e a ABNT NBR 16172:2023, das descontinuidades em pinturas e revestimentos não condutores sobre metal.[6][7][8][9]
A ISO 12944-7:2017 trata da execução e da fiscalização do serviço de pintura, na fábrica ou na obra, mas não do preparo da superfície nem da fiscalização desse preparo, para os quais remete à ISO 12944-4.[16]
Quem responde pelo resíduo do jateamento?
O gerador que a lei obriga a ter plano de gerenciamento, mesmo quando contrata outra empresa para levar o resíduo. Pela Lei nº 12.305/2010, os geradores de resíduos industriais estão sujeitos a plano de gerenciamento de resíduos sólidos (art. 20, com o art. 13).[4]
Pelo art. 27, § 1º, "a contratação de serviços de coleta, armazenamento, transporte, transbordo, tratamento ou destinação final de resíduos sólidos, ou de disposição final de rejeitos, não isenta" essas empresas "da responsabilidade por danos que vierem a ser provocados pelo gerenciamento inadequado dos respectivos resíduos ou rejeitos".[4]
A classificação do resíduo quanto à periculosidade, como o abrasivo usado misturado à tinta removida, segue a ABNT NBR 10004-1:2024, que substituiu a NBR 10004:2004 em 27 de novembro de 2024.[11]
O que incluir na sua solicitação
- O ambiente da estrutura pela categoria de corrosividade da ISO 12944-2 (atmosfera, imersão em água ou solo) e a durabilidade esperada.[13][15]
- O processo e o grau de preparo: no jateamento abrasivo pela ABNT NBR 7348:2025, Sa 2, Sa 2½ ou Sa 3 pela ISO 8501-1; no hidrojateamento, o grau de limpeza e a norma que o define.[12][5]
- O abrasivo que será usado, nunca areia seca ou úmida (NR-15, Anexo nº 12, item 7).[2]
- O perfil de rugosidade exigido, medido pelo método da ABNT NBR 15488:2024.[7]
- O esquema de pintura demão por demão, com o tipo de tinta e a espessura seca em µm, como fundo epóxi poliamida de 160 µm e acabamento em poliuretano acrílico de 70 µm.[15][19]
- Sobre aço galvanizado, o esquema pela ABNT NBR 16733:2019.[10]
- Inspeção com relatório: inspeção visual (NBR 15185), espessura da película seca (NBR 10443) e descontinuidades (NBR 16172), com o critério de aceitação e as áreas de referência.[6][8][9][17]
- Trechos em espaço confinado, se houver: o jateamento ali usa ar respirável, detector de gases, tripé e ventilação.[19]
- O destino do abrasivo usado e da tinta removida, a classificação pela ABNT NBR 10004-1:2024 e quem contrata o transporte.[4][11]
- Proposta por m² com o preparo, cada demão, o andaime e o acesso em linhas separadas.[19]
Perguntas de compradores
Jateamento com areia molhada é permitido?
Não. O item 7 do Anexo nº 12 da NR-15, incluído pela Portaria nº 99/2004 da Secretaria de Inspeção do Trabalho, proíbe o jateamento que utilize areia "seca ou úmida" como abrasivo. A portaria justificou a proibição com a sílica cristalina gerada pelo processo, causa de silicose grave e substância cancerígena.[2][1]
Hidrojateamento ou jateamento abrasivo: qual pedir?
Os dois são preparos previstos na ABNT NBR 7348:2025, que inclui o hidrojateamento a ultra-alta pressão, acima de 30.000 psi. No SICRO de São Paulo, abril de 2026, o hidrojateamento grau WJ-2 tem custo unitário direto de R$ 60,76 por m², e o jateamento grau Sa 2½ com granalha de aço, de R$ 11,64.[5][19]
Qual a espessura de tinta certa?
Depende do ambiente e da durabilidade: a ISO 12944-5:2019 orienta a escolha do esquema pela categoria de corrosividade da ISO 12944-2, pelo grau de preparo e pela durabilidade esperada. Um esquema do SICRO para estruturas navais soma 460 µm, em duas demãos de epóxi de 160 µm e duas de poliuretano de 70 µm. A medição segue a ABNT NBR 10443:2023.[15][13][19][8]
Fontes
- Ministério do Trabalho e Emprego, Secretaria de Inspeção do Trabalho, Portaria nº 99, de 19 de outubro de 2004 (DOU de 21/10/2004, Seção 1, p. 68): inclui o item 7 no título sílica livre cristalizada do Anexo nº 12 da NR-15, outubro de 2004.
- Ministério do Trabalho e Emprego, NR-15: atividades e operações insalubres, Anexo nº 12, limites de tolerância para poeiras minerais (texto vigente, última alteração pela Portaria MTE nº 2.021/2025), dezembro de 2025.
- Ministério do Trabalho e Emprego, NR-34: condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção, reparação e desmonte naval (última alteração pela Portaria MTP nº 4.219/2022), dezembro de 2022.
- Câmara dos Deputados, Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos), agosto de 2010.
- ABNT Catálogo, ABNT NBR 7348:2025, Pintura industrial: preparação de superfície de aço-carbono com jateamento abrasivo seco, úmido ou hidrojateamento à ultra-alta pressão (resumo, em vigor; substituiu a ABNT NBR 7348:2017), janeiro de 2025.
- ABNT Catálogo, ABNT NBR 15185:2023, Inspeção visual de superfícies de aço-carbono para pintura industrial (resumo, em vigor), maio de 2023.
- ABNT Catálogo, ABNT NBR 15488:2024, Pintura industrial: determinação do perfil de rugosidade em superfície metálica (resumo, em vigor), dezembro de 2024.
- ABNT Catálogo, ABNT NBR 10443:2023, Pintura industrial: determinação da espessura da película seca sobre superfícies metálicas ferrosas e não ferrosas (resumo, em vigor), outubro de 2023.
- ABNT Catálogo, ABNT NBR 16172:2023 Versão Corrigida:2024, Pintura industrial: determinação de descontinuidades em pintura e revestimentos anticorrosivos aplicados sobre substratos metálicos (resumo, em vigor), outubro de 2023.
- ABNT Catálogo, ABNT NBR 16733:2019, Esquemas de pintura para superfícies de aço galvanizado: proteção anticorrosiva, requisitos (resumo, em vigor, confirmada em 2024), abril de 2019.
- ABNT Catálogo, ABNT NBR 10004-1:2024, Resíduos sólidos: classificação, parte 1, requisitos de classificação (resumo, em vigor; substituiu a ABNT NBR 10004:2004), novembro de 2024.
- ISO, ISO 8501-1:2007, Preparation of steel substrates before application of paints and related products: visual assessment of surface cleanliness, Part 1: rust grades and preparation grades of uncoated steel substrates (resumo; edição a ser revisada), maio de 2007.
- ISO, ISO 12944-2:2017, Paints and varnishes: corrosion protection of steel structures by protective paint systems, Part 2: classification of environments (resumo), novembro de 2017.
- ISO, ISO 12944-4:2017, Paints and varnishes: corrosion protection of steel structures by protective paint systems, Part 4: types of surface and surface preparation (resumo), novembro de 2017.
- ISO, ISO 12944-5:2019, Paints and varnishes: corrosion protection of steel structures by protective paint systems, Part 5: protective paint systems (resumo), setembro de 2019.
- ISO, ISO 12944-7:2017, Paints and varnishes: corrosion protection of steel structures by protective paint systems, Part 7: execution and supervision of paint work (resumo), novembro de 2017.
- ISO, ISO 12944-8:2017, Paints and varnishes: corrosion protection of steel structures by protective paint systems, Part 8: development of specifications for new work and maintenance (resumo), novembro de 2017.
- Caixa Econômica Federal, SINAPI, SINAPI, referência 09/2026: relatório de custos de composições sem desoneração e relatório analítico (composições 100716, 100727 e 100729, São Paulo), setembro de 2026 (emitido em 9 de outubro de 2026).
- DNIT, Sistema de Custos Referenciais de Obras (SICRO), Relatórios analítico e sintético de composições de custos, São Paulo, abril de 2026: jateamento (2408069, 2419790, 2407976, 2408068), hidrojateamento (2407973), pintura (2408078, 2408079, 2419705, 2407977, 2407979) e tratamento superficial e pintura de estruturas navais (7107384), abril de 2026.
Descreva o serviço.
Publique uma solicitação e os fornecedores que fazem esse trabalho podem responder.
Publicar solicitação