Montagem de estrutura metálica: etapas, custo por kg, o que a NR-18 exige e o que mandar para a montadora
Em resumo
A montagem de estrutura metálica é o serviço feito na obra: receber as peças fabricadas e pintadas, conferir bases e chumbadores, içar cada peça e fazer as ligações parafusadas ou soldadas. Pela NR-18, toda montagem fica sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado, com o sistema de proteção individual contra quedas (SPIQ) e os acessos previstos no PGR da obra.
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Quais são as etapas de uma estrutura metálica?
Uma estrutura metálica passa por projeto, desenhos de fabricação e de montagem, fabricação, proteção, transporte, montagem e retoque. Na CNAE, a montagem de estruturas metálicas permanentes feita por empresa especializada é a subclasse 4292-8/01, da seção de construção; quando o próprio fabricante monta, a atividade fica na fabricação (2511-0/00). Veja também caldeiraria.[5]
| Etapa | O que acontece | O que fica definido |
|---|---|---|
| Projeto | Cálculo e desenhos pela ABNT NBR 8800:2024 (perfis laminados, soldados ou tubulares) ou pela ABNT NBR 14762:2010 (perfis formados a frio) | Perfis, ligações por parafuso ou solda e o peso de aço em kg |
| Desenhos de fabricação e de montagem | Detalhamento das peças e da montagem; num memorial descritivo público de 2020, a montagem segue os desenhos de montagem preparados pelo fabricante | Peças, ligações e lista de materiais |
| Fabricação | Beneficiamento dos perfis em fábrica | Se o preço inclui a montagem: no SINAPI, fabricar e instalar uma tesoura de aço é uma composição (100378) e só instalar é outra (92258) |
| Proteção | Limpeza, jateamento e fundo anticorrosivo | No memorial de 2020, peça sem a limpeza e a pintura indicadas não é montada |
| Transporte | Carga, frete e armazenagem na obra | No memorial de 2020, peça amassada ou deformada é corrigida antes de montar, pelo fabricante quando o transporte é dele |
| Montagem | Conferência de bases e chumbadores, içamento, prumo, nível e ligações na obra | Responsabilidade de profissional legalmente habilitado, com SPIQ e acessos no PGR (NR-18, item 18.7.5) |
| Retoque e entrega | Reparo da pintura danificada no transporte e na montagem, por lixamento e pintura | Modificações registradas pela montadora, com cópia para a fiscalização e o projetista |
Quanto custa a montagem de estrutura metálica por kg?
Em Goiás, a tabela da GOINFRA de junho de 2026, sem desoneração, traz R$ 20,50 por kg para estrutura metálica convencional em aço MR-250 e R$ 22,82 por kg em aço AR-350, com fundo anticorrosivo, fabricação e montagem. No SINAPI, as composições de fornecimento e instalação de vigas, pilares e contraventamentos metálicos e de estruturas treliçadas de cobertura (100763 a 100778) estão suspensas desde janeiro de 2025; as de tesoura de cobertura em aço (100378 e 92258) estão no relatório de custos de 09/2026. Os valores são custos diretos, sem BDI, e a GOINFRA não separa a montagem da fabricação: cada composição tem um único insumo, de fabricação e montagem.[11][12][9][4]
| Referência | O que inclui | Custo |
|---|---|---|
| GOINFRA 150205, Goiás, junho de 2026, sem desoneração | Estrutura metálica convencional em aço AR-350 / ASTM A572 G50 com fundo anticorrosivo, fabricação e montagem | R$ 22,82 por kg |
| GOINFRA 150204, Goiás, junho de 2026, sem desoneração | O mesmo, em aço MR-250 / ASTM A36 | R$ 20,50 por kg |
| SINAPI 100378, São Paulo, 09/2026, não desonerado | Fabricação e instalação de tesoura de cobertura em aço, vão de 6 a 12 m, com içamento, sem pintura | R$ 13,04 por kg |
| SINAPI 92258, São Paulo, 09/2026, não desonerado | Só a instalação de uma tesoura (inteira ou meia) em aço de 10 a 12 m de vão, com içamento e sem pintura: cerca de 11,5 h de montador, 4 h de servente e guindaste de 30 t | R$ 603,85 por tesoura |
| SINAPI 100763 a 100778 | Fornecimento e instalação de vigas, pilares e contraventamentos metálicos e de estruturas treliçadas de cobertura (arco, shed e Fink) | Composições suspensas desde janeiro de 2025 |
Como comparar propostas de montagem de estrutura metálica?
Na prática, compare primeiro o que cada preço por kg inclui: as referências públicas vão de só instalar uma peça até fabricar, aplicar o fundo e montar. Quem fabrica pode ser a própria montadora ou uma caldeiraria.[12][9][5]
Desconfie de preço por kg com código SINAPI de viga ou pilar metálico: essas composições constam como suspensas desde janeiro de 2025 no relatório oficial de manutenções do SINAPI, mas num site espelho a composição 100764 ainda aparece com custo da base de agosto de 2024.[9][10]
Some o BDI antes de comparar com uma referência: pelo Decreto nº 7.983/2013, o preço global de referência é o custo global de referência acrescido do BDI, que evidencia no mínimo a taxa de rateio da administração central, os tributos, a taxa de risco, seguro e garantia do empreendimento e a taxa de lucro (art. 9º).[4]
Peça o guindaste em linha própria, com hora produtiva e hora improdutiva: na composição SINAPI 92258 (09/2026), cada tesoura instalada consome 0,0864 hora produtiva (CHP) e 0,1746 hora improdutiva (CHI) do guindaste de 30 t.[9]
O que a NR-18 exige na montagem de estrutura metálica?
Pela NR-18, "toda montagem, manutenção e desmontagem de estrutura metálica deve estar sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado" (item 18.7.5.1), e, na montagem, "o SPIQ e os meios de acessos dos trabalhadores à estrutura devem estar previstos no PGR da obra" (item 18.7.5.2).[1]
Pelo glossário da NR-18, profissional legalmente habilitado é o "trabalhador previamente qualificado e com registro no competente conselho de classe", e o SPIQ, sistema de proteção individual contra quedas, reúne sistema de ancoragem, elemento de ligação e equipamento de proteção individual, em consonância com a NR-35.[1]
A NR-18 se aplica às atividades da indústria da construção da seção F da CNAE (item 18.2.1), onde fica a montagem de estruturas metálicas feita por empresa especializada (subclasse 4292-8/01).[1][5]
Na montagem, o trabalhador deve ter recipiente ou suporte para materiais e ferramentas (item 18.7.5.3), e, onde houver possibilidade de acúmulo de energia estática, a estrutura deve ser aterrada desde o início da montagem (item 18.6.20).[1]
A proteção coletiva é obrigatória onde houver risco de queda de trabalhadores ou de projeção de materiais, projetada por profissional legalmente habilitado (item 18.9.1). Os equipamentos de guindar seguem as recomendações do fabricante e o plano de carga, elaborado por profissional legalmente habilitado e contemplado no PGR (item 18.10.1.16); o que esse plano contém está em plano de rigging.[1]
Solda na obra é trabalho a quente: pede análise de risco específica quando houver material combustível ou inflamável no entorno ou quando a área não estiver isolada e destinada a esse fim (item 18.7.6.2).[1]
O que a contratante deve exigir da montadora?
A contratante deve receber da montadora o inventário de riscos ocupacionais específicos das atividades de montagem, que entra no PGR do canteiro (NR-18, item 18.4.4). O PGR é elaborado por profissional legalmente habilitado em segurança do trabalho e traz, entre outros documentos, os projetos de proteção coletiva e, quando aplicável, do SPIQ (itens 18.4.2 e 18.4.3).[1]
A montagem acima de 2 m com risco de queda é trabalho em altura (NR-35, item 35.2.1), precedido de análise de risco (item 35.5.5), e cabe à organização "acompanhar o cumprimento das medidas de prevenção estabelecidas nesta Norma pelas organizações prestadoras de serviços" (item 35.3.1, alínea f).[2]
Como serviço de engenharia, a montagem exige ART: pela Lei nº 6.496/1977, "todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia" fica sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica, feita no CREA pelo profissional ou pela empresa (arts. 1º e 2º).[3]
Já a Comunicação Prévia de Obras é dever da organização da obra: é feita antes do início das atividades, no sistema informatizado da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (NR-18, item 18.3.1, alínea b).[1]
O que incluir na sua solicitação
- Projeto com revisão, norma de cálculo (ABNT NBR 8800:2024 ou NBR 14762:2010), desenhos de montagem e lista de materiais com o peso total em kg.[6][7][8]
- Escopo: só montagem ou fabricação e montagem, e quem fornece aço, parafusos, porcas, arruelas e chumbadores.[8][12]
- Bases: quem instala os chumbadores e quem confere locação, nível, prumo e alinhamento de apoios e chumbadores antes da montagem.[8]
- Içamento: peso, dimensões, altura e raio da peça mais pesada e do içamento de maior alcance; guindaste ou munck incluído ou à parte; plano de carga elaborado por profissional legalmente habilitado (PLH).[1]
- Ligações na obra: parafusadas ou soldadas, método de aperto dos parafusos e, para solda, a análise de risco de trabalho a quente.[8][1]
- Pintura: jateamento e fundo em fábrica e o retoque da pintura danificada no transporte e na montagem, com preço próprio.[8][11]
- Segurança: inventário de riscos da montadora para o PGR, SPIQ e meios de acesso previstos, e trabalhadores autorizados para trabalho em altura.[1][2]
- Responsável técnico: PLH com registro no conselho de classe e a ART da montagem, feita no CREA.[1][3]
- Proposta discriminada: preço por kg com o que inclui (fabricação, pintura, frete, içamento, montagem), guindaste em hora produtiva e improdutiva, e BDI.[11][9][4]
- Entrega: registro das modificações feitas durante a montagem, com cópia para a fiscalização e o projetista.[8]
Perguntas de compradores
Montagem de estrutura metálica precisa de ART?
Sim. A NR-18 põe toda montagem de estrutura metálica sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado (item 18.7.5.1), e a Lei nº 6.496/1977 submete à ART todo contrato de obra ou serviço de engenharia (art. 1º). A ART é feita no CREA, e a falta dela sujeita o profissional ou a empresa à multa da Lei nº 5.194/1966 (arts. 2º e 3º).[1][3]
A NR-35 vale para o montador de estrutura metálica?
Vale sempre que a montagem tiver diferença de nível acima de 2 m com risco de queda (item 35.2.1). Nesse caso o trabalho exige trabalhador formalmente autorizado (item 35.4.1) e análise de risco prévia (item 35.5.5), e o SPIQ previsto no PGR pela NR-18 segue a NR-35.[2][1]
A montadora pode alargar furos na obra?
Num memorial descritivo público de 2020, só com autorização da fiscalização, que consulta o projetista. O mesmo memorial proíbe o maçarico para abrir ou alargar furos na obra e não aceita "chamadas" para acomodar peças com furos defeituosos ou desalinhados. Escreva a mesma regra na sua solicitação.[8]
Fontes
- Ministério do Trabalho e Emprego, NR-18: segurança e saúde no trabalho na indústria da construção (redação da Portaria SEPRT nº 3.733/2020, última alteração pela Portaria MTE nº 836/2026), maio de 2026.
- Ministério do Trabalho e Emprego, NR-35: trabalho em altura (redação da Portaria MTP nº 4.218/2022, última modificação pela Portaria MTE nº 1.259/2026), julho de 2026.
- Câmara dos Deputados, Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977 (Anotação de Responsabilidade Técnica), dezembro de 1977.
- Câmara dos Deputados, Decreto nº 7.983, de 8 de abril de 2013 (orçamento de referência de obras e serviços de engenharia; texto atualizado, última alteração pelo Decreto nº 12.867/2026), abril de 2013.
- IBGE (Concla), CNAE-Subclasses 2.3, subclasse 4292-8/01: montagem de estruturas metálicas (notas explicativas), acesso em novembro de 2026.
- Target Engenharia e Consultoria (normas.com.br), NBR 8800 de 10/2024: projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edificações, outubro de 2024.
- Target Engenharia e Consultoria (normas.com.br), ABNT NBR 14762:2010, dimensionamento de estruturas de aço constituídas por perfis formados a frio (ficha da norma, vigente, confirmada em 11/2023), julho de 2010, confirmada em novembro de 2023.
- Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), anexo de edital, Anexo III: memorial descritivo das estruturas metálicas (reforma e reestruturação do telhado da sede), 2020.
- Caixa Econômica Federal, SINAPI, SINAPI, referência 09/2026: relatório de custos de composições sem desoneração, relatório analítico e relatório de manutenções (composições 100378, 92258 e 100763 a 100778), setembro de 2026 (emitido em 9 de outubro de 2026).
- Orcamentor (espelho da base SINAPI), Composição SINAPI 100764: viga metálica em perfil laminado ou soldado com conexões soldadas, fornecimento e instalação (base agosto de 2024), agosto de 2024.
- GOINFRA, Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes, Custo referencial de serviços: tabela de custos de obras civis T343, junho de 2026, sem desoneração (composições 150204 e 150205), junho de 2026.
- GOINFRA, Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes, Relatório de composição do serviço: tabela de custos de obras civis T343, junho de 2026, sem desoneração (composições 150204 e 150205, insumos de fabricação e montagem, BDI 0,00%), junho de 2026 (emitido em 3 de setembro de 2026).
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