Andaime fachadeiro, tubular ou multidirecional: qual pedir para cada serviço e o que muda na montagem
Em resumo
O andaime fachadeiro é montado em módulos ao longo da fachada, ancorado na estrutura, com vários níveis de trabalho: serve a edifícios de múltiplos pavimentos. O tubular é uma torre de painéis de encaixe sobre sapatas ou rodízios, para serviço num ponto; sem estai ou fixação, a NR-18 limita sua altura a quatro vezes a menor dimensão da base.
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Qual a diferença entre andaime fachadeiro e tubular?
O fachadeiro se estende em módulos ao longo da fachada e é ancorado na estrutura à medida que sobe; a torre tubular cresce só na vertical, com painéis de encaixe montados uns sobre os outros. No SINAPI, o sistema de custos da construção da Caixa, os painéis da torre têm de 1 a 1,5 m de largura e 1 m de altura e são montados em posição perpendicular até a altura do trabalho, e os quadros do fachadeiro têm cerca de 1,20 m de largura e 2,0 m de altura, ligados por diagonais em X e barras de ligação. Para contratar o serviço, veja aluguel de andaime.[5][4]
Os dois são andaimes simplesmente apoiados, que a NR-18 define como "plataforma de trabalho, fixa ou móvel, cujos pontos de sustentação estão apoiados no piso". O andaime simplesmente apoiado fica sobre sapatas em base rígida e nivelada e é fixado à estrutura por amarração quando necessário (item 18.12.13).[1]
Cada um é medido de um jeito: no SINAPI, a torre por metro de altura necessária ao trabalho e o fachadeiro pela área da fachada que recebe o andaime, tanto no aluguel quanto na montagem.[5][4]
Qual andaime pedir para cada serviço?
Fachadeiro para a fachada de prédio com vários pavimentos, torre tubular para um serviço num ponto, multidirecional para estrutura de forma irregular e andaime suspenso para fachada alta trabalhada de cima. Cada escolha da tabela vem das regras da NR-18, das descrições do SINAPI e dos manuais de uma rede de locação; a montagem final é a do projeto do profissional legalmente habilitado, salvo na torre única baixa que a NR-18 dispensa de projeto.[1][4][6][7]
| Serviço | Tipo a pedir | Por quê | O que informar |
|---|---|---|---|
| Fachada de prédio com vários pavimentos: pintura, reboco, revestimento | Fachadeiro | Permite várias plataformas de trabalho na mesma fachada; o SINAPI tem montagem própria do fachadeiro para edifícios de múltiplos pavimentos (97063) | Altura e comprimento da fachada e onde ancorar na estrutura |
| Serviço num ponto: uma parede, um forro, um equipamento | Torre tubular | A torre única com altura inferior a quatro vezes a menor dimensão da base dispensa projeto de montagem (NR-18, item 18.12.2.1) | Altura de trabalho e espaço livre para a base |
| Interior com piso nivelado, mudando o andaime de lugar | Torre tubular com rodízios | Só sobre superfície horizontal plana, com travas, e nunca deslocada com trabalhadores em cima (itens 18.12.16 e 18.12.17) | Tipo de piso e altura de trabalho |
| Estrutura de forma irregular, com curvas, recortes ou vários níveis | Multidirecional | Montantes com rosetas e encaixe autobloqueante em vários ângulos, que se adaptam a geometrias complexas (glossário da NR-18) | Desenho ou fotos da área e volume aproximado em m³ |
| Fachada alta trabalhada de cima, sem estrutura apoiada no chão | Andaime suspenso | Plataforma sustentada por cabos de aço e movida na vertical, com projeto de fixação e sustentação (itens 18.12.18 e 18.12.21) | Altura da fachada, tipo de cobertura e onde fixar |
| Trabalho baixo, até 1,5 m | Plataforma sobre cavaletes | A NR-18 proíbe trabalhar sobre cavaletes com altura acima de 1,5 m e largura abaixo de 0,9 m (item 18.12.11) | Altura e largura da área de trabalho |
| Ponto onde não cabe andaime nem plataforma | Cadeira suspensa | Permitida só onde não for possível instalar andaime ou plataforma de trabalho (item 18.12.43) | Por que o andaime não cabe |
Quando o andaime precisa de projeto de montagem?
Quase sempre. Pela NR-18, a montagem de andaimes segue projeto elaborado por profissional legalmente habilitado (item 18.12.2), e o projeto só é dispensado no andaime simplesmente apoiado em torre única com altura inferior a quatro vezes a menor dimensão da base, montado conforme o manual de instrução (item 18.12.2.1).[1]
Com pisos de trabalho interligados, o projeto é exigido em qualquer altura (item 18.12.2.2). No andaime suspenso, os sistemas de fixação e sustentação precisam resistir a pelo menos três vezes os esforços solicitantes e ter projeto próprio (item 18.12.18).[1]
A regra mudou em 2020. A Portaria SIT nº 201/2011 exigia projeto na montagem de andaimes fachadeiros, suspensos e em balanço, e ART nesses projetos (itens 18.15.1.1 e 18.15.2.4 daquela redação). A Portaria SEPRT nº 3.733/2020 revogou esse texto e deu à NR-18 a redação atual, em que o projeto de montagem vale para todo andaime, salvo a torre única baixa (itens 18.12.2 e 18.12.2.1).[2][1]
A NR-18 atual não menciona ART para andaime. A ART vem da Lei nº 6.496/1977: todo contrato "para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia" fica sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica (art. 1º).[3][1]
Como o andaime fachadeiro é ancorado na fachada?
Na prática, o fachadeiro é amarrado à estrutura do prédio enquanto sobe: no caderno técnico do SINAPI, os módulos se repetem na horizontal e na vertical e, durante esse processo, as ancoragens são presas às esperas chumbadas junto à estrutura.[4]
O manual de instruções do fachadeiro de uma rede de locação mostra a amarração na laje com cabo de aço entre a perna do andaime e um suporte de fixação, ou com parafuso que ultrapasse a espessura da laje.[6]
A NR-18 não fixa um espaçamento entre amarrações. Ela exige que o andaime simplesmente apoiado seja fixado à estrutura, quando necessário, de modo a resistir aos esforços a que estará sujeito (item 18.12.13, alínea b), por isso peça que o projeto de montagem mostre os pontos de ancoragem.[1]
Para andaime suspenso num prédio pronto, pergunte pelos pontos de ancoragem da fachada: a NR-18 exige, em edificações com 12 m ou mais a partir do térreo, dispositivos de ancoragem de equipamentos e de cabos de segurança para limpeza, manutenção e restauração de fachadas, previstos no projeto estrutural e com carga de trabalho mínima de 1.500 kgf (itens 18.12.12 e 18.12.12.2).[1]
Quanto trabalho dá montar cada tipo de andaime?
Pelos índices do SINAPI, montar e desmontar 200 m² de fachadeiro pede 110,9 h de montador e 21,2 h de servente, e uma torre de 10 m, 7,0 h e 1,3 h. As composições dão as horas de montagem e desmontagem somadas, por unidade de cada tipo; os exemplos multiplicam esses índices e servem para planejar o prazo e comparar propostas na mesma unidade.[4][5]
| Tipo (composição) | Unidade | Montador, h por unidade | Servente, h por unidade | Exemplo |
|---|---|---|---|---|
| Torre tubular (97064) | metro de altura | 0,6977 | 0,1331 | Torre de 10 m: 7,0 h de montador e 1,3 h de servente |
| Fachadeiro (97063) | m² de fachada | 0,5546 | 0,1058 | Fachada de 200 m²: 110,9 h de montador e 21,2 h de servente |
| Multidirecional (97065) | m³ de andaime montado | 0,3165 | 0,0604 | 100 m³: 31,7 h de montador e 6,0 h de servente |
| Tela no fachadeiro (97062) | m² de fachada | 0,0685 (carpinteiro) | 0,0653 (ajudante) | 200 m²: 13,7 h de carpinteiro e 13,1 h de ajudante |
Andaime tubular, tubo e abraçadeira ou multidirecional: o que muda?
Muda a forma de ligar as peças. No andaime tubular de encaixe, o da torre, os painéis se encaixam uns nos outros, e a NR-18 exige montantes e painéis fixados com travamento contra o desencaixe acidental (item 18.12.7). O manual de painéis de uma rede de locação trava os painéis com parafusos e indica montante de 42,20 mm de diâmetro com tubo de 2,65 mm de espessura. O mesmo manual pede uma diagonal a cada 3 m a partir da base e, na torre com rodízios, diagonais em X junto à base.[1][7]
O sistema de tubo e abraçadeira, que a redação de 2011 da NR-18 descrevia, une montantes, travessas, diagonais e longarinas tubulares nos nós por abraçadeira fixa, abraçadeira giratória ou luva de acoplamento.[2]
O multidirecional, definido no glossário da NR-18 desde 29 de junho de 2026, usa montantes com rosetas fixas a intervalos regulares e encaixe autobloqueante, e dispensa acessórios de aperto manual, como braçadeiras ou parafusos, na estrutura principal.[1]
A norma técnica de segurança é a ABNT NBR 6494, de 1990, sobre as condições de segurança da estrutura dos andaimes e de quem trabalha e transita neles; o catálogo de normas a dá como vigente, com confirmação publicada em maio de 2022.[8]
O que incluir na sua solicitação
- O serviço, onde ele acontece (fachada inteira, um ponto, interior ou estrutura de forma irregular) e o tipo de andaime que você pede.[1][4]
- As medidas de cada frente de trabalho: altura e comprimento da fachada; altura de trabalho e espaço livre para a base da torre; para estrutura irregular, desenho ou fotos e o volume aproximado em m³.[4]
- O piso de apoio: firme e nivelado para as sapatas, ou plano e horizontal se a torre tiver rodízios (NR-18, itens 18.12.13 e 18.12.16).[1]
- Onde o fachadeiro pode ser amarrado: lajes ou esperas na estrutura, e se é permitido furar a fachada.[4][6]
- O projeto de montagem com os pontos de ancoragem, de profissional legalmente habilitado, e a ART quando o serviço for contratado como engenharia (NR-18, item 18.12.2; Lei nº 6.496/1977, art. 1º).[1][3]
- Para andaime suspenso: a altura da fachada, se a fixação será em platibanda ou beiral, que exige laudo de verificação estrutural, e se o prédio tem dispositivos de ancoragem de fachada (NR-18, itens 18.12.19 e 18.12.12).[1]
- Quantos níveis de trabalho vão funcionar ao mesmo tempo e onde fica a escada, obrigatória quando o piso de trabalho passa de 1 m de altura (NR-18, item 18.12.14).[1]
- Montadores com treinamento específico no tipo de andaime escolhido (NR-18, item 18.12.6, alínea a).[1]
Perguntas de compradores
Andaime fachadeiro precisa de ART?
A ART vem da Lei nº 6.496/1977, que sujeita à anotação todo contrato de serviço de engenharia (art. 1º), e não da NR-18 atual, que não a menciona. A NR-18 exige projeto de montagem de profissional legalmente habilitado para todo andaime, salvo a torre única baixa (itens 18.12.2 e 18.12.2.1). A exigência de ART nos projetos de fachadeiro, suspenso e em balanço era da Portaria SIT nº 201/2011, revogada em 2020.[1][3][2]
O andaime fachadeiro precisa de tela?
Precisa, quando montado na fachada: a NR-18 exige tela externa que impeça a projeção e a queda de materiais, da primeira plataforma de trabalho até 2 m acima da última (itens 18.12.15 e 18.12.15.1). No SINAPI, colocar a tela é um serviço à parte, por m² de fachada (97062), com tela de polietileno presa por abraçadeiras de nylon.[1][4]
Fachadeiro ou plataforma de cremalheira?
São equipamentos diferentes. A plataforma de cremalheira se desloca no percurso vertical e, pela NR-18, precisa de piso para no mínimo 150 kgf/m², motofreio, freio automático de segurança, limites elétricos de percurso e ancoragem obrigatória a partir de 9 m de altura (item 18.12.29), com operadores capacitados e SPIQ independente (item 18.12.30). O fachadeiro fica apoiado em sapatas, é montado em módulos e permite várias plataformas de trabalho na mesma fachada.[1][6]
Fontes
- Ministério do Trabalho e Emprego, NR-18: segurança e saúde no trabalho na indústria da construção (redação da Portaria SEPRT nº 3.733/2020, última alteração pela Portaria MTE nº 836/2026), maio de 2026.
- Ministério do Trabalho e Emprego, Secretaria de Inspeção do Trabalho, Portaria SIT nº 201, de 21 de janeiro de 2011 (alterava a NR-18 quanto a andaimes; revogada pela Portaria SEPRT nº 3.733/2020), janeiro de 2011.
- Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada, Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977: Anotação de Responsabilidade Técnica (texto atualizado), dezembro de 1977.
- Caixa Econômica Federal, SINAPI, Caderno Técnico de Composições: Equipamentos de Proteção Coletiva (composições 97062 a 97065, andaimes), aferido em março de 2024, última atualização em fevereiro de 2026.
- Caixa Econômica Federal, SINAPI, SINAPI, referência 09/2026: relatório de preços de insumos e relatório analítico de composições (insumos 10527 e 20193; composições 97062 a 97065), setembro de 2026 (emitido em 9 de outubro de 2026).
- Casa do Construtor, Manual de instruções: andaime fachadeiro (versão 2023), 2023.
- Casa do Construtor, Manual de instruções: painéis metálicos (versão 2024, revisão 01), 2024.
- Target Normas (catálogo de normas técnicas), ABNT NBR 6494:1990, Segurança nos andaimes (ficha da norma, vigente, confirmada em 05/2022), agosto de 1990, confirmada em maio de 2022.
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