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Caldeiraria, solda e usinagem

Corte a laser, plasma ou oxicorte: qual pedir para cada espessura e como especificar a borda

Em resumo

O corte a laser cobre chapas de 0,5 a 32 mm na ISO 9013:2017, que vale quando o desenho a cita; o plasma, até 150 mm, e o oxicorte, de 3 a 300 mm. No SICRO de São Paulo, abril de 2026, o metro de plasma manual tem custo direto de R$ 2,66 a R$ 11,55, conforme a espessura.

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Qual a diferença entre corte a laser, plasma e oxicorte?

Os três cortam metal pelo calor, e a ISO 9013:2017, a norma internacional que classifica os cortes térmicos, dá a cada um sua faixa de espessura: oxicorte de 3 a 300 mm, corte a plasma de 0,5 a 150 mm e corte a laser de 0,5 a 32 mm. Para contratar o serviço, veja corte e dobra.[1]

Em estruturas de aço, o caderno de encargos de obras da Prefeitura de Belo Horizonte (SUDECAP), 4ª edição atualizada em julho de 2025, toma o corte térmico (oxicorte, plasma ou laser) como regra geral para chapas e perfis e recomenda máquinas de controle numérico (CNC) para maior qualidade dimensional das peças.[4]

O corte mecânico entra no mesmo caderno só como opção: serra para perfis laminados e soldados, e tesoura para chapas de até 12,5 mm de peças secundárias, como nervuras e enrijecedores.[4]

Qual processo pedir para cada espessura de chapa?

Pelas faixas da ISO 9013: de 0,5 a 3 mm, a norma classifica cortes a laser e a plasma; de 3 a 32 mm, os três processos; acima de 32 mm e até 150 mm, plasma e oxicorte; acima de 150 mm e até 300 mm, só oxicorte. A tabela traz também o custo de referência do SICRO, o sistema de custos referenciais de obras do DNIT, para São Paulo em abril de 2026: são custos unitários diretos de composições para obra pública, não preços de mercado.[1][3]

Qual processo pedir para cada espessura de chapa?
ProcessoFaixa na ISO 9013Custo no SICRO, São Paulo, abril de 2026
Corte a laser0,5 a 32 mmO relatório não tem composição de corte a laser
Corte a plasma CNC0,5 a 150 mmR$ 5,12 por metro em chapa de 6,3 a 10 mm (composição 1400976), com 98,45 m por hora
Corte a plasma manual0,5 a 150 mmR$ 2,66 por metro em aço-carbono de 4 a 8 mm (1400970) e R$ 11,55 de 9 a 25 mm (1400971)
Oxicorte com oxiacetileno3 a 300 mmR$ 1,86 por metro em chapa de 3,0 mm (1400973), R$ 4,16 em 12,5 mm (1416141) e R$ 6,34 em 16,0 mm (1416142)
Oxicorte com oxi-GLP3 a 300 mmR$ 2,97 por metro em chapa de 12,5 mm (1400985)
Jato d'águaFora da norma, que classifica só cortes térmicos; aplicá-la exige acordo à parteO relatório não tem composição de corte a jato d'água

Fontes:[1][3]

Como pedir a qualidade do corte pela ISO 9013?

Cite a norma e a classe de qualidade no desenho ou nas condições de entrega: pelo resumo da ISO 9013:2017, as especificações geométricas do produto se aplicam quando há referência à norma nos desenhos ou em outros documentos pertinentes.[1]

A ISO 9013 não trata de defeitos de planicidade. Se a planicidade da peça cortada importa, ela precisa de tolerância própria no desenho.[1]

A edição em vigor é a terceira, de fevereiro de 2017, confirmada pela ISO em julho de 2022; a emenda 1 a essa edição saiu em setembro de 2024. Cite as duas no pedido.[1][2]

O que exigir da borda cortada a quente numa estrutura de aço?

Rebarbas removidas, bordas livres sob tração sem depressões fundas nem entalhes, cantos reentrantes arredondados, chanfros esmerilhados e preaquecimento antes de recortes em perfis pesados. Na prática, o acabamento da borda vai escrito no pedido, e o caderno de encargos da SUDECAP serve de modelo: depois do corte de chapas e perfis de aço, ele manda remover todas as rebarbas e, para a borda cortada a quente, exige:[4]

  • nas bordas livres sujeitas a tensão estática de tração, nenhuma depressão com mais de 5 mm de profundidade e nenhum entalhe; o que passar disso é esmerilhado ou reparado com solda, para evitar fissuras;[4]
  • todos os cantos reentrantes arredondados, com raio mínimo de 13 mm;[4]
  • preaquecimento de pelo menos 66 °C antes de cortar recortes de mesa e aberturas de acesso para soldagem em perfis dos grupos 4 e 5 da ASTM A6 ou em perfis soldados com material de mais de 50 mm;[4]
  • bordas esmerilhadas quando o chanfro da chapa é feito com maçarico.[4]

Quanto custa o metro de corte a plasma e de oxicorte?

No SICRO de São Paulo, abril de 2026, o custo unitário direto do metro de corte vai de R$ 1,86 (oxicorte de chapa de 3,0 mm) a R$ 11,55 (plasma manual de 9 a 25 mm). O relatório não tem composição de corte a laser.[3]

A espessura pesa porque a produção cai. No SICRO de São Paulo, abril de 2026, a mesma equipe de plasma manual, com fonte de 65 A, gerador de 40 kVA, soldador e ajudante, custa R$ 138,87 por hora e corta 64,68 m por hora em chapa de 4 a 8 mm, mas só 15,06 m em chapa de 9 a 25 mm; o metro passa de R$ 2,66 para R$ 11,55.[3]

No oxicorte, a produção cai de 45,85 m por hora em chapa de 3,0 mm para 25,40 m em 12,5 mm e 17,87 m em 16,0 mm. O gás também conta: em chapa de 12,5 mm, o metro custa R$ 4,16 com oxiacetileno e R$ 2,97 com oxi-GLP no SICRO de São Paulo, abril de 2026.[3]

A composição de plasma CNC (1400976) do SICRO de São Paulo, abril de 2026, usa um equipamento de corte a plasma CNC de 12.000 x 5.500 mm e 19,5 kW, gerador de 68 kVA e dois ajudantes, e corta 98,45 m por hora em chapa de 6,3 a 10 mm, a R$ 5,12 por metro; desse valor, R$ 2,02 são material de consumo, dos quais R$ 1,68 de oxigênio.[3]

Cada composição soma equipamento, mão de obra e material de consumo, como os gases; não inclui a chapa e não tem linha de lucro nem de custos indiretos da empresa. Use esses números para entender a lógica de um orçamento por metro, não como preço de mercado.[3]

O que incluir na sua solicitação

  • Material e espessura de cada chapa e o processo aceito (laser, plasma ou oxicorte), ou se a empresa pode propor o processo.[1]
  • Referência à ISO 9013:2017 e à emenda 1:2024 no desenho ou nas condições de entrega, com a classe de qualidade de corte exigida.[1][2]
  • Tolerância de planicidade da peça cortada, quando importar: a ISO 9013 não trata de defeitos de planicidade.[1]
  • Corte a jato d'água ou por outro processo não térmico: o critério de aceitação do corte por escrito, já que a ISO 9013 só se aplica a ele por acordo à parte.[1]
  • Acabamento das bordas livres sob tração, das bordas a soldar e dos chanfros: rebarbas removidas, depressões acima de 5 mm esmerilhadas ou reparadas, chanfro a maçarico esmerilhado.[4]
  • Furos broqueados ou puncionados; furo com maçarico só com autorização do responsável técnico pelo projeto estrutural, salvo os de chumbadores nas placas de base, que o caderno da SUDECAP admite por meio térmico.[4]
  • Raio mínimo dos cantos reentrantes indicado no desenho (o caderno da SUDECAP pede 13 mm).[4]
  • Perfis pesados com recortes ou aberturas de acesso para soldagem: se o projeto exige preaquecimento antes do corte, e a que temperatura.[4]
  • Proposta com o preço do metro de corte por espessura e o material da chapa em linha própria.[3]

Perguntas de compradores

A ISO 9013 vale para corte a jato d'água?

Não automaticamente. A ISO 9013:2017 classifica cortes térmicos: oxicorte, plasma e laser. Pelo resumo da norma, aplicá-la a peças feitas por outro processo de corte é exceção e precisa ser combinado à parte. Se a borda de uma peça cortada a jato d'água importa, escreva no pedido o critério de aceitação do corte.[1]

Até que espessura dá para cortar a laser?

A ISO 9013:2017 classifica cortes a laser de 0,5 a 32 mm; para chapas mais grossas, a norma vai até 150 mm no plasma e até 300 mm no oxicorte. A espessura máxima que cada máquina corta depende do equipamento: pergunte à empresa antes de mandar o desenho.[1]

Pode abrir furo com maçarico numa estrutura de aço?

Só com autorização do responsável técnico pelo projeto estrutural, pelo caderno de encargos da SUDECAP; a exceção são os furos para chumbadores nas placas de base, que podem ser feitos por broca ou por meio térmico. Furos em material de até 19 mm podem ser puncionados quando a espessura não passa do diâmetro nominal do parafuso mais 3 mm; nos mais espessos, são broqueados no diâmetro final, ou subpuncionados ou sub-broqueados e usinados até ele.[4]

Fontes

  1. ISO, ISO 9013:2017, Thermal cutting: classification of thermal cuts, geometrical product specification and quality tolerances (resumo, 3ª edição, confirmada em 2022), fevereiro de 2017.
  2. ISO, ISO 9013:2017/Amd 1:2024, Thermal cutting: classification of thermal cuts, geometrical product specification and quality tolerances, Amendment 1, setembro de 2024.
  3. DNIT, Sistema de Custos Referenciais de Obras (SICRO), Relatórios analítico e sintético de composições de custos, São Paulo, abril de 2026: composições 1400976, 1400970 e 1400971 (corte a plasma) e 1400973, 1416141, 1416142 e 1400985 (corte com maçarico), abril de 2026.
  4. Prefeitura de Belo Horizonte, SUDECAP, Caderno de Encargos SUDECAP, capítulo 6: Estruturas de concreto e de aço, 4ª edição (itens 6.2.4.4 Corte, 6.2.4.7 Furação e 6.2.4.9 Ligações soldadas), julho de 2025.

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