Pular para o conteúdo
Manutenção e confiabilidade

Manutenção de gerador a diesel: o que fazer por mês, semestre e ano, o teste com carga e quanto custa

Em resumo

A manutenção de gerador a diesel combina uma visita mensal (inspeção, teste com carga e simulação de falta de energia pela chave de transferência) com trocas semestrais ou anuais de óleo, filtros e separador de água. O intervalo é o do fabricante; três termos públicos de 2026 o transformam em calendário com relatório, e dois deles exigem ART.

Headcore10 min de leitura12 fontes

O que fazer na manutenção do gerador a diesel por mês, semestre e ano?

Todo mês, inspeção, ajustes e teste de funcionamento; a cada semestre ou ano, troca de óleo, filtros e separador de água, na forma e na periodicidade do fabricante, que a NR-12 manda seguir (item 12.11.1). A tabela mostra como dois termos de 2026 transformam isso em calendário: o do Laboratório Farmacêutico da Marinha, no Rio de Janeiro (RJ), para geradores de 450 e 260 kVA, e o da Fundação HEMOPA, em Belém (PA), para geradores de 25 a 330 kVA.[5][1][3]

O que fazer na manutenção do gerador a diesel por mês, semestre e ano?
PeriodicidadeTermo da Marinha (RJ, outubro de 2026)Termo da HEMOPA (PA, setembro de 2026)
MensalInspeções, verificações, ajustes, reapertos, limpeza técnica, lubrificação e testes operacionais nos dois geradoresVazamentos, níveis de óleo e água, filtros de ar, correias, mangotes, motor de arranque, radiador, drenagem da água do tanque de combustível, alternador, baterias (densidade e tensão por elemento), quadro de comando e teste com carga
SemestralQuando tecnicamente recomendável: limpeza do tanque de combustível de até 1.000 litros, das tubulações e da bomba de transferência; filtragem ou descarte do diesel, se necessário; troca dos filtros de combustível e do separador de águaTudo da rotina mensal e mais: folga de válvulas, teste dos bicos injetores, troca do óleo com motor quente, taxa de compressão, rolamentos e vibração do alternador, isolamento do motor e do quadro
AnualTroca do óleo lubrificante e dos filtros de óleo, de combustível e do separador de água; limpeza do radiador, do aftercooler e do alternador; medição da resistência de isolamento (megagem) do alternadorNão há rotina anual: a troca de óleo já é semestral
Testes e relatórioApós os serviços, nos equipamentos atendidos: simulação de falta de energia, partida e transferência automáticas pela chave, operação sob carga, retorno à rede e relatório técnicoTodo mês: teste com carga, simulação de falta de rede e relatório com serviços, peças e irregularidades

Fontes:[5][1][3]

Como deve ser o teste com carga do gerador?

O teste fixa uma carga mínima, uma duração mínima e as leituras a registrar: na rotina mensal da HEMOPA, o grupo funciona com pelo menos 50% de carga por 30 minutos ou mais, e o técnico anota pressão do óleo, temperatura do bloco e das turbinas, frequência, tensão e corrente do gerador.[3]

No mesmo termo, o técnico simula a falta da rede com o equipamento no automático e anota o tempo de entrada do grupo e o tempo de transferência; depois simula o retorno da rede e anota o tempo de transferência e o de resfriamento, além das horas de trabalho da unidade.[3]

O termo da Marinha transforma o teste em critério de aceite: o serviço só é recebido depois que se simula a interrupção e se constatam a partida automática, a transferência pela chave, a operação contínua sob carga sem falhas nem alarmes indevidos, o retorno automático à rede e o desligamento automático do grupo.[1]

Quando o gerador é a fonte de energia de emergência de serviços de segurança, esse uso tem norma própria: a ABNT NBR ISO 8528-12:2014, em vigor.[11]

Que cuidados o diesel e o tanque do gerador pedem?

Tirar a água e a sujeira do tanque e trocar os filtros: a rotina mensal da HEMOPA drena a água decantada do tanque de combustível, limpa o pré-filtro e confere a passagem de combustível pelo filtro; na Marinha, a cada semestre, quando tecnicamente recomendável, o tanque de até 1.000 litros é limpo, o diesel é filtrado ou descartado se necessário, e os filtros de combustível e o separador de água são trocados.[3][1]

Combine quem compra o combustível: na HEMOPA, o óleo diesel para o funcionamento do motor fica por conta do contratante, enquanto óleo lubrificante, filtros e materiais de consumo ficam com a contratada.[3]

Para o tanque de consumo aéreo de gerador a diesel ou biodiesel, os requisitos de instalação e segurança em edificações estão na ABNT NBR 16684-1:2018, em vigor e confirmada em 2023.[12]

O que a NR-20, a NR-10 e a NR-12 exigem na manutenção do gerador?

Na manutenção do gerador, a NR-20 alcança o tanque de diesel, a NR-10 o quadro e a chave de transferência, e a NR-12 o bloqueio das fontes de energia do grupo.[6][7][5]

A NR-20 vale para o armazenamento, a transferência e o manuseio de inflamáveis e de líquidos combustíveis, incluindo a etapa de manutenção da instalação (item 20.2.1). Para tanques ligados a motores, ela usa os termos tanque de consumo e tanque acoplado, este o que faz parte do grupo motor gerador (glossário).[6]

Dentro do edifício, o tanque de inflamáveis só pode ficar enterrado. O tanque de superfície de diesel do gerador de emergência é a exceção, admitida só quando for comprovadamente impossível enterrá-lo ou instalá-lo fora da projeção horizontal do edifício, com projeto e análise de riscos de profissional habilitado (Anexo III, itens 1, 2 e 2.1). O responsável pela segurança do edifício designa um responsável técnico pela operação, inspeção e manutenção do tanque, e quem opera, inspeciona, mantém ou abastece faz o curso intermediário (itens 2.2 e 2.3).[6]

Instalações com mais de 1 m³ e até 10 m³ de inflamáveis e/ou líquidos combustíveis anexam ao PGR o inventário, os perigos, os procedimentos de prevenção e as medidas de emergência, e treinam no mínimo três trabalhadores no curso básico (Anexo II, itens 1 e 1.1). Acima de 10 m³ e até 5.000 m³, a instalação é de Classe I (Tabela 1). Da definição de armazenamento do glossário, porém, ficam fora os tanques de superfície para consumo de diesel do item 2 do Anexo III.[6]

No quadro e na chave de transferência, intervenções em instalações com tensão igual ou superior a 50 V em corrente alternada são feitas só por trabalhadores qualificados, legalmente habilitados ou capacitados e autorizados pela empresa (NR-10, itens 10.6.1 e 10.8). Na redação da NR-10 que vale a partir de 1º de junho de 2027, quem tem geração própria deve adotar medidas que impeçam a energização de instalações de outras organizações, salvo condições autorizadas pela ANEEL (item 10.14.5).[7][8]

Como máquina, o grupo gerador segue a NR-12: a manutenção é feita com o equipamento parado, as fontes de energia isoladas e os dispositivos de corte bloqueados "a fim de impedir a reenergização", com cartão ou etiqueta de bloqueio com data, horário, motivo e responsável (item 12.11.3), salvo as situações especiais dos subitens 12.11.3.1 e 12.11.3.2.[5]

O que o contrato e o relatório de manutenção do gerador devem trazer?

O contrato deve separar o que entra no preço mensal do que é orçado à parte, fixar o cronograma e definir o conteúdo do relatório e a ART. Os três termos públicos citados aqui tratam disso assim:[3][1][4]

  • materiais de consumo no preço: óleo lubrificante, filtros de todos os tipos, anéis de vedação e pequenos materiais (HEMOPA, Marinha e IQUEGO);[3][1][4]
  • peças da corretiva por orçamento aprovado, com tabela do fabricante ou três cotações de mercado, até um limite anual (HEMOPA);[3]
  • mão de obra e deslocamento da corretiva incluídos no preço mensal; retífica do motor e rebobinagem do alternador por orçamento à parte (HEMOPA);[3]
  • cronograma das preventivas com dia e hora, e mudanças comunicadas por escrito ao fiscal (HEMOPA);[3]
  • correção da causa raiz, sem soluções provisórias ou paliativas (Marinha);[1]
  • relatório com diagnóstico, serviços, peças substituídas, testes realizados, fotos, recomendações e não conformidades pendentes (Marinha);[1]
  • pagamento condicionado a uma lista de verificação: troca de óleo e filtros, baterias, arrefecimento, teste da chave, partida e transferência automáticas, teste sob carga, relatório e ART (instrumento de medição de resultado da Marinha);[2]
  • ART ou termo de responsabilidade técnica cobrindo todos os motores atendidos (Marinha e IQUEGO).[1][4][9]

Quanto custa a manutenção de gerador?

Em dois termos públicos de 2026, no Rio de Janeiro (RJ, outubro) e em Belém (PA, setembro), a manutenção mensal de um gerador a diesel foi estimada entre R$ 1.630,54 e R$ 2.900,00. No Rio de Janeiro, em outubro de 2026, o Laboratório Farmacêutico da Marinha estimou a preventiva mensal em R$ 2.146,39 para o gerador de 450 kVA e R$ 1.630,54 para o de 260 kVA, com os consumíveis das trocas semestrais e anuais incluídos.[1]

Em Belém (PA), em setembro de 2026, a HEMOPA estimou R$ 2.900,00 por mês para o gerador de 330 kVA, R$ 2.450,00 para o de 115 kVA e R$ 1.850,00 para o de 25 kVA da unidade móvel, pela preventiva e corretiva com a mão de obra da corretiva incluída, e um teto anual de R$ 60.000,00 para peças da corretiva na sede e na unidade móvel.[3]

Em Goiás, em agosto de 2026, a IQUEGO estimou cada manutenção semestral, com filtros e óleo, em R$ 4.948,56 para um gerador de 504 kVA e R$ 5.716,31 para um de 450 kVA. Os valores dos três termos são preços de referência dos contratantes, não preços contratados.[4]

Um gerador já avariado muda a conta: no Rio de Janeiro (RJ), em outubro de 2026, o termo da Marinha estimou R$ 26.112,42 para a manutenção corretiva e preventiva inicial do gerador de 450 kVA, que tinha falhas recorrentes de desligamento automático, incluindo painel elétrico e chave de transferência.[1]

O que incluir na sua solicitação

  • Cada gerador: potência em kVA, tensão, fabricante e modelo do motor e do alternador, capacidade do tanque, horas no horímetro e local de instalação.[3][4]
  • Uso do gerador: emergência ou operação contínua, quais cargas ele alimenta e se ele é a fonte de emergência de serviços de segurança.[11][1]
  • Rotina pedida: visita mensal com teste com carga e simulação de falta de energia, e as trocas semestrais e anuais conforme o manual do fabricante.[3][1][5]
  • Critério do teste com carga: percentual mínimo de carga, duração e grandezas a registrar (pressão do óleo, temperatura, frequência, tensão, corrente, tempo de transferência).[3]
  • O que entra no preço mensal (consumíveis, mão de obra e deslocamento da corretiva) e como as peças são orçadas e aprovadas.[3][1]
  • Quem compra o diesel e com que frequência o tanque é drenado, limpo e o combustível filtrado.[3][1]
  • Documentos do Anexo II da NR-20 se o diesel em armazenamento passar de 1 m³, e o responsável técnico pelo tanque se ele estiver dentro do edifício.[6]
  • Trabalhadores autorizados pela NR-10 para o quadro e a chave de transferência, e o procedimento de isolamento e bloqueio das fontes de energia antes da manutenção (NR-12, item 12.11.3).[7][5]
  • Relatório com diagnóstico, peças, testes, fotos e recomendações, e ART da manutenção.[1][9]

Perguntas de compradores

De quanto em quanto tempo trocar o óleo do gerador a diesel?

No prazo do fabricante, que a NR-12 manda seguir (item 12.11.1). Em dois termos públicos de 2026, a troca é semestral na HEMOPA, em Belém (PA), e anual na Marinha, no Rio de Janeiro (RJ), onde o checklist pede a troca quando prevista pelo plano de manutenção ou pela recomendação do fabricante.[5][3][1][2]

Quem paga as peças na manutenção do gerador?

Depende do contrato. Nos três termos públicos de 2026, os consumíveis da preventiva (óleo, filtros, anéis de vedação) entram no preço; no da HEMOPA, em Belém (PA), as peças da corretiva são orçadas e aprovadas antes, com tabela do fabricante ou três cotações, até um limite anual.[3][1][4]

A manutenção de gerador precisa de ART?

Os termos da Marinha e da IQUEGO exigem ART ou termo de responsabilidade técnica, e a Lei nº 6.496/1977 sujeita à ART todo contrato de prestação de serviços profissionais referentes à engenharia (art. 1º).[1][4][9]

Fontes

  1. Marinha do Brasil, Laboratório Farmacêutico da Marinha (Rio de Janeiro, RJ) (PNCP), Termo de Referência nº 71/2026: manutenção corretiva de grupo diesel gerador de 450 kVA e preventiva dos geradores de 450 kVA e 260 kVA (contratação direta), outubro de 2026.
  2. Marinha do Brasil, Laboratório Farmacêutico da Marinha (Rio de Janeiro, RJ) (PNCP), Instrumento de Medição de Resultado (IMR) da manutenção dos grupos geradores de 450 kVA e 260 kVA, outubro de 2026.
  3. Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará, HEMOPA (Belém, PA) (PNCP), Edital do Pregão Eletrônico nº 030/2026: manutenção preventiva e corretiva de grupos geradores, com especificação técnica (Apêndice 4 do Anexo I) e valores estimados, setembro de 2026.
  4. Indústria Química do Estado de Goiás, IQUEGO, Termo de referência: manutenção preventiva e preditiva de quatro grupos geradores (504 kVA e 450 kVA), com fornecimento de materiais, peças e mão de obra, agosto de 2026.
  5. Ministério do Trabalho e Emprego, NR-12: segurança no trabalho em máquinas e equipamentos (redação da Portaria SEPRT nº 916/2019, última alteração pela Portaria MTE nº 344/2024), itens 12.11.1 e 12.11.3, março de 2024.
  6. Ministério do Trabalho e Emprego, NR-20: segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis (última alteração pela Portaria MTE nº 60/2025), itens 20.2 e 20.4, Anexos II e III e glossário, janeiro de 2025.
  7. Ministério do Trabalho e Emprego, NR-10: segurança em instalações e serviços em eletricidade (texto vigente, redação da Portaria MTE nº 598/2004, última alteração pela Portaria SEPRT nº 915/2019), julho de 2019.
  8. Ministério do Trabalho e Emprego, Portaria MTE nº 737, de 29 de maio de 2026: nova redação da NR-10, em vigor um ano após a publicação de 1º de junho de 2026, maio de 2026.
  9. Câmara dos Deputados, Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977 (Anotação de Responsabilidade Técnica), dezembro de 1977.
  10. ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT Catálogo), ABNT NBR ISO 8528-1:2025, Grupos geradores de corrente alternada acionados por motores alternativos de combustão interna, Parte 1: aplicação, características e desempenho (ficha de catálogo, em vigor), 12 de março de 2025.
  11. ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT Catálogo), ABNT NBR ISO 8528-12:2014, Grupos geradores de corrente alternada acionados por motores alternativos de combustão interna, Parte 12: fonte de energia de emergência para serviços de segurança (ficha de catálogo, em vigor), 16 de dezembro de 2014 (confirmada em 1º de agosto de 2016).
  12. ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT Catálogo), ABNT NBR 16684-1:2018, Tanque de consumo aéreo para grupos geradores alimentados por diesel ou biodiesel, Parte 1: requisitos de instalação e segurança em edificações (ficha de catálogo, em vigor), 29 de maio de 2018 (confirmada em 8 de dezembro de 2023).

Descreva o serviço.

Publique uma solicitação e os fornecedores que fazem esse trabalho podem responder.

Publicar solicitação