Manutenção de transformador a óleo: ensaios, periodicidade, quem pode fazer e o que o relatório traz
Em resumo
A manutenção de transformador a óleo combina inspeção externa, ensaios do óleo isolante (físico-químicos e cromatografia dos gases dissolvidos), ensaios elétricos e termografia. A NR-10 não fixa o intervalo: em 2026, um registro de preços de Porto Alegre previu óleo e ensaios elétricos a cada 12 meses e termografia a cada 6. Só trabalhadores autorizados pela NR-10 podem intervir.
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O que inclui a manutenção de transformador a óleo?
A manutenção de transformador a óleo inclui uma inspeção do equipamento, a coleta de óleo para laboratório, ensaios elétricos e a termografia. No registro de preços de Porto Alegre (RS), de 2026, para subestações de 100 a 300 kVA, a preventiva do transformador a óleo pede: limpar e revisar buchas, radiadores e tanque; inspecionar as vedações; revisar o comutador; verificar ruído e nível do líquido isolante; inspecionar o respiradouro e a sílica-gel; testar termômetro, relé Buchholz e indicador de nível; medir as tensões a vazio; colher amostras de óleo; medir a resistência ôhmica e testar a atuação das proteções.[12]
No mesmo termo de referência, cada ensaio é um item próprio, com periodicidade própria: análise físico-química e cromatográfica do óleo a cada 12 meses, inspeção termográfica do transformador energizado a cada 6 meses, ensaio de isolação e ensaio de relação de transformação (TTR) a cada 12 meses, e a preventiva da subestação também a cada 12 meses, com lista de verificação.[12]
A ABNT NBR 7037:1993 (recebimento, instalação e manutenção de transformadores de potência em óleo isolante mineral) foi cancelada sem substituição em 17 de outubro de 2012. A ABNT NBR 5356-9:2016, confirmada em janeiro de 2025, trata do transporte, recebimento, instalação, energização e manutenção de transformadores e reatores com classe de tensão acima de 36,2 kV.[5][6]
Para o óleo, a referência é a ABNT NBR 10576:2017, confirmada em 2022, que orienta a supervisão e a manutenção da qualidade do óleo isolante em equipamentos elétricos.[7]
Que ensaios pedir no óleo e no transformador?
No óleo, peça os ensaios físico-químicos, a cromatografia e os compostos furânicos; no transformador, a resistência de isolamento, o TTR, a resistência ôhmica e a termografia. Os ensaios do óleo mostram o estado do isolamento sem desligar o transformador; no termo de Porto Alegre, o ensaio de isolação começa pela desenergização e o aterramento do circuito. A tabela junta o que cada ensaio indica, segundo um fascículo técnico da revista O Setor Elétrico (2022), e os itens do termo de Porto Alegre (2026).[13][12]
| Ensaio | O que indica | Norma ou regra | Periodicidade no termo de Porto Alegre |
|---|---|---|---|
| Rigidez dielétrica | Valor baixo deixa o isolamento mais vulnerável a descargas internas | Faz parte do físico-químico (ABNT NBR 10576 orienta a supervisão) | 12 meses |
| Teor de água | Água acelera a degradação do papel isolante e reduz a rigidez; o valor muda com a carga na hora da coleta | Físico-químico | 12 meses |
| Índice de neutralização (acidez) | Aumento indica oxidação do óleo, que degrada o papel isolante | Físico-químico | 12 meses |
| Tensão interfacial | Queda indica oxidação acentuada e tendência a formar borra, que prejudica a troca de calor | Físico-químico | 12 meses |
| Fator de perdas dielétricas | Valor alto indica contaminantes polares em suspensão | Físico-químico | 12 meses |
| Cromatografia (análise de gases dissolvidos) | Gases apontam defeitos internos: descargas parciais, centelhamento, descargas de baixa e alta energia, sobreaquecimento | ABNT NBR 7070:2006 (amostragem e análise) e NBR 7274:2026 (interpretação) | 12 meses, com o físico-químico |
| Compostos furânicos | Estimam a degradação do papel isolante sem abrir o transformador | O fascículo recomenda a mesma periodicidade do físico-químico, desde o 1º ano | Não previsto |
| Teor de PCB | Óleo com 50 mg/kg ou mais é material contaminado por PCB | Lei nº 14.250/2021; método ABNT NBR 13882:2021 | Não previsto |
| Resistência de isolamento, TTR e resistência ôhmica | Isolação dos enrolamentos, relação entre enrolamentos, polaridade e curto entre espiras | Desenergização e aterramento do circuito antes do ensaio | 12 meses |
| Termografia | Pontos de aquecimento anormal, com comparação entre fases | Feita com o transformador energizado | 6 meses |
De quanto em quanto tempo fazer a manutenção do transformador?
Nem a NR-10 nem a lei do PCB fixam um intervalo para a manutenção do transformador: ele sai do plano de manutenção da empresa, das orientações da ABNT NBR 10576 e do histórico de cada unidade. No termo de Porto Alegre de 2026, óleo, ensaios elétricos e preventiva da subestação são anuais, e a termografia é semestral.[1][3][7][12]
Na cromatografia, o que conta é a série histórica. O fascículo de O Setor Elétrico recomenda analisar as concentrações e a variação delas desde as coletas anteriores, porque alguns transformadores convivem com certos gases de forma estável; diante de um resultado suspeito, recomenda coletar de novo e, se possível, fazer contraprova em outro cromatógrafo.[13]
Segundo a mesma fonte, a coleta de óleo para esses ensaios pode ser feita sem interromper a operação do transformador, o que permite manter a rotina anual sem esperar uma parada.[13]
Quem pode fazer a manutenção de transformador pela NR-10?
Só trabalhadores qualificados, legalmente habilitados ou capacitados e autorizados pela empresa (item 10.6.1, para 50 V ou mais em corrente alternada). Pela NR-10 em vigor, autorizado é quem tem "anuência formal da empresa" (item 10.8.4), e a autorização exige o treinamento do Anexo III, cujo curso básico tem carga horária mínima de 40 h (itens 10.8.8 e 10.8.8.1).[1]
No texto em vigor, alta tensão é a "tensão superior a 1000 volts em corrente alternada" (glossário, item 1): o primário de 13,8 kV de um transformador de distribuição é alta tensão. Quem intervém em instalações energizadas em alta tensão dentro das zonas controlada e de risco recebe o curso complementar de segurança no Sistema Elétrico de Potência (itens 10.7.1 e 10.7.2).[1]
Os serviços em instalações energizadas em alta tensão "não podem ser realizados individualmente" (item 10.7.3) e só se fazem com "ordem de serviço específica para data e local, assinada por superior responsável pela área" (item 10.7.4).[1]
Para trabalhar com o transformador desligado, a instalação só é considerada desenergizada depois da sequência do item 10.5.1: seccionamento; impedimento de reenergização; constatação da ausência de tensão; aterramento temporário com equipotencialização dos condutores; proteção dos elementos energizados na zona controlada; e sinalização de impedimento de reenergização.[1]
Estabelecimentos com carga instalada acima de 75 kW mantêm o Prontuário de Instalações Elétricas, que inclui o "relatório técnico das inspeções atualizadas com recomendações, cronogramas de adequações" (item 10.2.4, alínea g). Peça o relatório da manutenção do transformador com recomendações e cronograma, para que ele sirva a esse prontuário.[1]
Na redação que vale a partir de 1º de junho de 2027 (Portaria MTE nº 737/2026), alta tensão passa a ser a tensão acima de 36.200 V, e a faixa acima de 1.000 V e até 36.200 V vira média tensão (glossário). O trabalhador autorizado que faz serviços em média e alta tensão no sistema elétrico de consumo, ou trabalha perto delas, recebe o treinamento "Complementar de Média e Alta Tensão - SEC", de 16 horas (itens 10.9.2 e 10.9.6), e a desenergização ganha a delimitação e sinalização da área de trabalho (item 10.13.1).[2]
Pelo mesmo texto, a partir de 1º de junho de 2027 o Prontuário das Instalações Elétricas passa a ser exigido das organizações do sistema elétrico de potência ou que atuam em média e alta tensão (item 10.15.6); a comparação completa entre as duas redações está em laudo de instalações elétricas.[2]
O que fazer se o óleo do transformador tiver PCB (ascarel)?
Retirar o equipamento de operação e dar a ele destinação final ambientalmente adequada. Pela Lei nº 14.250/2021, é contaminado todo material que contenha "teor de PCBs igual ou superior a 0,005% (cinco milésimos por cento) em peso ou 50 mg/kg" (art. 3º, II), e a pessoa jurídica que usa ou guarda esse material fica obrigada a retirá-lo de operação e destiná-lo nos prazos da Convenção de Estocolmo (art. 2º).[3]
Segundo o resumo do Ministério do Meio Ambiente, de 2023, o material contaminado devia sair de uso até 2025 e deve ter destinação ambientalmente adequada até 2028. Um equipamento contaminado desativado tem até 3 anos, contados da desativação, para a destinação final, sem passar dos prazos da Convenção (art. 4º).[14][3]
O detentor de PCB elabora o inventário, mantém-no atualizado e o envia ao órgão ambiental a cada 2 anos (art. 5º, § 2º), e se inscreve no Cadastro Técnico Federal (art. 6º).[3]
Óleo com PCB acima do limite só pode ser regenerado depois de descontaminado por empresa licenciada (art. 10), e transformador violado só pode ser vendido com laudo de que o óleo está abaixo do limite (art. 11). Para a lei, laudo é documento de profissional habilitado, registrado e com ART no conselho de classe (art. 3º, VI).[3]
A ABNT NBR 13882:2021, em vigor, especifica um método para determinar o teor de PCB em líquidos isolantes não halogenados, por cromatografia gasosa.[10]
O que o relatório de manutenção do transformador deve trazer?
O relatório deve trazer o resultado de cada ensaio com diagnóstico e recomendação, o bastante para decidir sobre o óleo e o equipamento e para servir ao prontuário da NR-10, onde ele existir. Pelos entregáveis do termo de Porto Alegre e pelo fascículo de O Setor Elétrico, os itens são estes:[12][13][1]
- identificação do transformador e da coleta: potência, local, data, carga e temperatura no momento da amostragem, já que o teor de água varia com a carga;[12][13]
- laudo laboratorial com o resultado de cada ensaio físico-químico e da cromatografia;[12]
- diagnóstico do estado do óleo e indicação de filtragem, regeneração ou substituição;[12]
- comparação da cromatografia com as coletas anteriores, com o diagnóstico pela ABNT NBR 7274;[13][9]
- valores medidos de resistência de isolamento, relação de transformação e resistência ôhmica, com parecer técnico;[12]
- termogramas com temperaturas, comparação entre fases, pontos críticos e recomendações;[12]
- serviços feitos, peças trocadas e fotos antes, durante e depois, com o diagrama unifilar atualizado se algo mudou;[12]
- na troca de óleo, o documento de destinação do óleo usado (CADRI ou equivalente);[12]
- responsável técnico e ART do serviço.[4][12]
Quanto custa a manutenção de transformador?
No registro de preços de Porto Alegre (RS), homologado em 13 de agosto de 2026, a análise físico-química e cromatográfica do óleo saiu a R$ 556,56 por transformador, a inspeção termográfica a R$ 1.387,81, o ensaio de relação de transformação a R$ 3.624,20 e a troca de óleo isolante a R$ 24,86 por litro.[11]
No mesmo resultado de Porto Alegre, de agosto de 2026, a manutenção preventiva de subestação ficou em R$ 1.763,08 por unidade e a vistoria técnica de subestação e rede aérea em R$ 1.098,76. No edital de julho de 2026, as estimativas da prefeitura de Porto Alegre para análise de óleo, termografia, TTR e troca de óleo eram R$ 742,08, R$ 1.850,41, R$ 4.832,27 e R$ 33,15 por litro.[11]
São preços de serviço para transformadores de 100 a 300 kVA a óleo, em poste e abrigados. No termo, cada ensaio é um item próprio e a troca de óleo é medida por litro: peça a proposta do mesmo jeito para comparar.[11][12]
O que incluir na sua solicitação
- Lista dos transformadores: potência em kVA, tensões, a óleo ou a seco, montagem em poste ou abrigada, e local de cada um.[12]
- Laudos anteriores de óleo e de cromatografia, para comparar a série; e o laudo de PCB, ou o pedido do ensaio pela ABNT NBR 13882 se não houver.[13][10][3]
- Ensaios pedidos: físico-químico (rigidez, teor de água, índice de neutralização, tensão interfacial, fator de perdas), cromatografia, furânicos, resistência de isolamento, TTR, resistência ôhmica e termografia.[12][13]
- Janela de desligamento disponível, quem faz as manobras e o bloqueio, e acesso à subestação.[12][1]
- Exigências da NR-10: trabalhadores autorizados com o curso básico; para serviço energizado em alta tensão, curso de SEP, equipe de no mínimo duas pessoas e ordem de serviço.[1]
- Destinação do óleo trocado, com documento ambiental, e proibição de regenerar óleo com PCB acima de 50 mg/kg sem descontaminação.[12][3]
- Entregáveis: laudo laboratorial, diagnóstico com recomendação, valores medidos, termogramas e relatório para o prontuário de instalações elétricas.[12][1]
- ART do serviço e responsável técnico registrado no CREA.[4]
- Proposta com preço por ensaio e por transformador, e óleo cobrado por litro.[11]
Perguntas de compradores
A ABNT NBR 7037 ainda vale para manutenção de transformador?
Não: a NBR 7037:1993 foi cancelada pela ABNT, sem substituição, em 17 de outubro de 2012. Para transformadores e reatores acima de 36,2 kV, vale a ABNT NBR 5356-9:2016; para o óleo isolante, a ABNT NBR 10576:2017.[5][6][7]
Precisa desligar o transformador para coletar o óleo?
Não necessariamente: a amostragem de óleo pode ser feita com o transformador em operação. Se a coleta exigir entrar na zona controlada de uma instalação energizada em alta tensão, valem as regras da NR-10 em vigor para esse serviço: trabalhadores autorizados com curso de SEP, nunca sozinhos e com ordem de serviço específica (itens 10.7.1 a 10.7.4).[13][1]
A cromatografia sozinha diz qual é o defeito do transformador?
Ela indica o tipo provável de defeito, como descargas parciais, centelhamento ou sobreaquecimento, pelas razões entre os gases, pela evolução desde as coletas anteriores e pelo total de gases combustíveis, interpretados pela ABNT NBR 7274. Diante de um resultado suspeito, o fascículo de O Setor Elétrico recomenda nova coleta e, se possível, contraprova em outro cromatógrafo.[13][9]
Fontes
- Ministério do Trabalho e Emprego, NR-10: segurança em instalações e serviços em eletricidade (texto vigente, redação da Portaria MTE nº 598/2004, última alteração pela Portaria SEPRT nº 915/2019), itens 10.2.4, 10.5, 10.6, 10.7, 10.8, Anexo III e glossário, julho de 2019.
- Ministério do Trabalho e Emprego, Portaria MTE nº 737, de 29 de maio de 2026: nova redação da NR-10, em vigor um ano após a publicação de 1º de junho de 2026 (itens 10.9, 10.13, 10.15 e glossário), maio de 2026.
- Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada, Lei nº 14.250, de 25 de novembro de 2021: eliminação controlada das bifenilas policloradas (PCBs) e de seus resíduos (publicação original), novembro de 2021.
- Câmara dos Deputados, Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977 (Anotação de Responsabilidade Técnica), dezembro de 1977.
- ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT Catálogo), ABNT NBR 7037:1993, Recebimento, instalação e manutenção de transformadores de potência em óleo isolante mineral (ficha de catálogo, cancelada), 30 de dezembro de 1993 (cancelada em 17 de outubro de 2012).
- ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT Catálogo), ABNT NBR 5356-9:2016, Transformadores de potência, Parte 9: recebimento, armazenagem, instalação e manutenção de transformadores e reatores de potência imersos em líquido isolante (ficha de catálogo, em vigor), 1º de novembro de 2016 (confirmada em 14 de janeiro de 2025).
- ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT Catálogo), ABNT NBR 10576:2017, Óleo mineral isolante de equipamentos elétricos: diretrizes para supervisão e manutenção (ficha de catálogo, em vigor), 11 de outubro de 2017 (confirmada em 29 de março de 2022).
- ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT Catálogo), ABNT NBR 7070:2006, Amostragem de gases e óleo mineral isolantes de equipamentos elétricos e análise dos gases livres e dissolvidos (ficha de catálogo, em vigor), 15 de maio de 2006 (confirmada em 13 de dezembro de 2023).
- ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT Catálogo), ABNT NBR 7274:2026, Equipamentos elétricos em serviço preenchidos com óleo mineral isolante: recomendações para interpretação dos gases dissolvidos e análise de gás livre (ficha de catálogo, em vigor), 27 de fevereiro de 2026.
- ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT Catálogo), ABNT NBR 13882:2021, Líquidos isolantes elétricos: determinação do teor de bifenilas policloradas (PCB) (ficha de catálogo, em vigor), 28 de setembro de 2021.
- Prefeitura Municipal de Porto Alegre (RS) (PNCP), Pregão Eletrônico nº 243/2026, registro de preços para manutenção de subestações de energia e redes alimentadoras: itens e resultado homologado, edital de julho de 2026, resultado de 13 de agosto de 2026.
- Prefeitura Municipal de Porto Alegre (RS), Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (PNCP), Termo de referência do Pregão Eletrônico nº 243/2026 (SEI 25.0.000148870-0): especificações, periodicidades, Anexo A e locais, julho de 2026.
- Revista O Setor Elétrico, edição 189, Fascículo Manutenção 4.0, capítulo VI: técnicas preditivas para detecção de falhas e avaliação do sistema isolante de transformadores de potência, outubro de 2022.
- Agência Gov (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), MMA e estados unem-se pelo fim de PCBs, 3 de setembro de 2023.
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