Ensaios não destrutivos: qual método encontra cada defeito, quem pode executar e o que pedir no relatório
Em resumo
Ensaios não destrutivos (END) avaliam soldas e peças sem danificá-las. Ensaio visual e líquido penetrante mostram descontinuidades abertas à superfície; partículas magnéticas também as subsuperficiais, só em material ferromagnético; ultrassom e radiografia, métodos volumétricos, examinam o volume da peça. No Brasil, o SNQC/END da Abendi certifica inspetores conforme a ISO 9712; nele, só os níveis 2 e 3 interpretam resultados.
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Quais são os tipos de ensaios não destrutivos e o que cada um encontra?
O SNQC/END da Abendi certifica pessoas em oito métodos de END (Tabela 1 da norma NA-001); a tabela traz seis deles, com os subníveis de certificação do esquema. Veja também caldeiraria.[1]
| Método | O que encontra | Em que material | O que exige | Norma ABNT do ensaio |
|---|---|---|---|---|
| Ensaio visual (EV) | Descontinuidades visíveis na superfície; em soldas, também o dimensional da junta e da preparação | Superfícies ao alcance da vista ou de um dispositivo ótico | Visão direta ou auxiliada por dispositivo ótico; para soldas, inspetor certificado em EV-N2-S | ABNT NBR NM 315:2017 |
| Líquido penetrante (LP) | Descontinuidades abertas à superfície | Materiais não porosos, metálicos e não metálicos | Descontinuidade aberta à superfície; penetrante colorido ou fluorescente, removível com água ou com solvente | ABNT NBR NM 334:2012 |
| Partículas magnéticas (PM) | Descontinuidades superficiais e subsuperficiais | Somente materiais ferromagnéticos | Magnetização por yoke, eletrodos, bobina, condutor central ou contato direto | ABNT NBR NM 342:2014 |
| Ultrassom (US) | Descontinuidades em juntas soldadas, descontinuidades laminares em chapas a partir de 6 mm e espessura de parede | Produtos industriais permeáveis ao ultrassom, como juntas soldadas e chapas metálicas laminadas | Inspetor com o subnível da espessura e do tipo de junta (US-N2-S1 a S4); phased array e TOFD com subnível próprio | ABNT NBR NM 336:2012 (solda); ABNT NBR 6002:2015 (chapas) |
| Radiografia (ER) | Descontinuidades no volume da junta soldada, registradas em filme ou em imagem digital | Juntas soldadas por fusão de materiais metálicos | Fonte de raios X ou gama, empresa autorizada pela ANSN, área delimitada e sinalizada e pelo menos dois operadores em campo | ABNT NBR ISO 17636-1:2026 (filme) |
| Correntes parasitas (CP) | Descontinuidades superficiais e próximas da superfície, perda de espessura e espessura de revestimento não condutor | Materiais metálicos condutores, inclusive juntas soldadas e tubos de trocadores de calor | Sonda adequada à peça; em tubos de troca térmica, técnica multifrequência (subnível CP-N2-TI) | ABNT NBR 16979:2021 |
Líquido penetrante ou partículas magnéticas: qual usar?
Partículas magnéticas quando o material é ferromagnético, líquido penetrante quando não é: a ABNT NBR NM 342 cobre descontinuidades superficiais e subsuperficiais em materiais ferromagnéticos, e a ABNT NBR NM 334, descontinuidades abertas à superfície em materiais não porosos, metálicos e não metálicos.[11][9]
Uma trinca logo abaixo da superfície aparece nas partículas magnéticas e não no líquido penetrante, que só mostra o que está aberto.[11][9]
Em soldas, o SNQC/END separa as técnicas de partículas magnéticas em subníveis: yoke (PM-N2-S-Y), eletrodos (PM-N2-S-E) e bobina, condutor central e contato direto (PM-N2-ES). Por isso o pedido diz a técnica, e o certificado do inspetor precisa cobri-la.[1]
Ultrassom ou radiografia: qual pedir na inspeção de solda?
Os dois são métodos volumétricos na NA-001; para quem contrata, a diferença está no campo: a radiografia segue a Norma ANSN 6.04, com área delimitada e sinalizada e equipe de pelo menos dois operadores, e o ultrassom fica fora dessa norma.[1][5]
Na NA-001, os subníveis de phased array e TOFD abrangem o US-N2-S1, e avaliar os arquivos de dados dessas técnicas pelo critério de aceitação cabe a quem tem US-N2-PA ou US-N2-TOFD.[1]
Na radiografia, o SNQC/END separa filme e imagem digital em subníveis: ER-N2-F-RX ou ER-N2-F-Gama para filme, ER-N2-D para imagem digital.[1]
No ultrassom, o subnível SNQC/END do inspetor vai pela espessura e pelo tipo de junta:[1]
- US-N2-ME: medição de espessura;[1]
- US-N2-S1: soldas de topo com espessura a partir de 15 mm, em chapas e em tubos com diâmetro externo a partir de 220 mm (8 polegadas nominais) nas soldas circunferenciais e de 508 mm (20 polegadas) nas longitudinais;[1]
- US-N2-S2: acrescenta as espessuras de 6 mm a menos de 15 mm;[1]
- US-N2-S2.1: acrescenta chapas de 4,8 mm a menos de 6 mm e soldas circunferenciais em tubos de 60 mm a menos de 220 mm de diâmetro externo, com espessura a partir de 4,8 mm;[1]
- US-N2-S3: abrange o S2 (não o S2.1) e acrescenta juntas de ângulo, em quina, em L e em T;[1]
- US-N2-S4: acrescenta juntas de geometria variável, como as conexões de equipamentos.[1]
O que a Norma ANSN 6.04 exige na radiografia industrial?
A Norma ANSN 6.04 (Resolução CNEN nº 145/2013) fixa quem pode operar, como a área é delimitada e o que se comunica à ANSN; vale para a posse, o uso, o armazenamento e o transporte das fontes de gamagrafia e dos equipamentos de raios X industriais (arts. 1º e 3º).[5]
Toda instalação de radiografia industrial precisa de Supervisores de Proteção Radiológica (SPR) certificados pela ANSN e de Operadores de Radiografia Industrial registrados (art. 4º), e o SPR não pode compor a equipe de operadores (art. 5º, parágrafo único).[5]
Os operadores devem "delimitar e sinalizar áreas supervisionadas e controladas" (art. 6º, I), e as operações "não podem ser executadas por um único IOE", salvo na instalação tipo I, um recinto isolado com equipamento autoblindado (arts. 50, III, e 2º, II, a).[5]
Em campo, a operação tipo III, em espaço isolado ou cercado, pede dois operadores, ao menos um Operador II; a tipo IV, cercada de áreas habitadas ou vias públicas, pede dois Operadores II e autorização específica da ANSN (art. 2º, II, c e d, art. 22 e Anexo I).[5]
O titular da instalação comunica à ANSN, todo mês, a localização de cada instalação de operação, o responsável, o cronograma e o período de trabalho, diurno ou noturno, e informa de pronto o início de qualquer nova instalação (art. 28, I e II).[5]
Quem pode executar e relatar ensaios não destrutivos no Brasil?
No SNQC/END, o sistema de certificação de pessoas em END mantido pela Abendi e acreditado pelo Inmetro, o inspetor é certificado por método, nível e setor (itens 5.1 e 3.2.30 da NA-001), e só os níveis 2 e 3 interpretam e avaliam os resultados.[2][1]
O esquema segue a ISO 9712:2021 (no Brasil, ABNT NBR NM ISO 9712:2025) e a norma NA-001 da Abendi, revisão 39 de agosto de 2026. A qualificação de soldadores e de procedimentos de soldagem está em soldador qualificado.[1][7]
Pela NA-001, a certificação "não confere licença" para executar END: cabe ao "empregador/contratante" verificar "a validade da certificação e a adequação desta às condições específicas do trabalho" (item 9.2). A autorização de trabalho é a declaração escrita do empregador, assinada com o nível 3 da empresa (item 3.2.1).[1]
O que cada nível pode ser autorizado a fazer, pela NA-001 (itens 6.1 a 6.3):[1]
- nível 1: prepara o equipamento, realiza o ensaio, registra e classifica os resultados pelo critério escrito e os relata, sob supervisão de nível 2 ou 3; não pode ser responsável pela escolha do método ou da técnica nem pela interpretação dos resultados;[1]
- nível 2: seleciona a técnica, traduz códigos e normas em instruções de END, ajusta o equipamento, interpreta e avalia os resultados pelo critério aplicável e organiza e relata os resultados;[1]
- nível 3: estabelece e valida procedimentos, designa os métodos, interpreta códigos e normas e ajuda a definir o critério de aceitação quando não houver outro disponível.[1]
Quando a NR-13 exige ensaios não destrutivos?
A NR-13 deixa a escolha dos exames ao profissional legalmente habilitado (PLH): a inspeção de segurança de caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques "deve ser respaldada por exames e testes, a critério técnico do PLH, observado o disposto em códigos ou normas aplicáveis" (item 13.3.4). Prazos, PLH e relatório da inspeção estão em inspeção NR-13.[6]
Vasos de pressão sem acesso visual para o exame interno ou externo, por impossibilidade física, "devem ser submetidos a exames não destrutivos ou a outras metodologias de avaliação de integridade definidas por PLH, considerados os mecanismos de danos previsíveis" (item 13.5.4.6).[6]
Para a empresa com SPIE, o serviço próprio de inspeção, o Anexo II exige "mão de obra contratada para ensaios não destrutivos certificada segundo regulamentação vigente" (item 1, alínea b).[6]
No glossário da NR-13, o exame interno é o exame visual da superfície interna para detectar corrosão, trincas, incrustações, depósitos ou "qualquer descontinuidade nas regiões das soldas, com o emprego de ensaios e testes apropriados para avaliar sua integridade estrutural"; o teste de pressão, quando o PLH o pede, está em teste hidrostático.[6]
O que pedir no relatório de inspeção?
Peça identificação do equipamento, escopo, técnicas e limitações, cada resultado com localização e dimensão e um parecer assinado: é o que a Abendi lista como essencial no relatório de inspeção de equipamentos, em que entram os END aplicados (texto de outubro de 2026).[3]
A Abendi recomenda também que o relatório diga o que não foi inspecionado, como trechos com isolamento térmico não removido ou áreas sem acesso, e que troque descrições genéricas por medidas: em vez de "presença de corrosão", "corrosão alveolar localizada no quadrante C, com profundidade de 2 mm e extensão de 50 mm".[3]
Os elementos que a Abendi aponta:[3]
- TAG do equipamento, fabricante, data de fabricação, fluido de operação e normas de projeto e de inspeção usadas;[3]
- escopo, metodologia e limitações encontradas;[3]
- técnicas de END aplicadas e equipamentos usados, com certificados de calibração vigentes;[3]
- resultados com localização e dimensões, cada um ligado a uma evidência: foto numerada com escala, croqui ou registro do ultrassom;[3]
- parecer técnico (apto, apto com restrições ou inapto), com recomendações e prazos;[3]
- assinatura com número de registro profissional e das certificações (Abendi ou SNQC) e, na inspeção NR-13, a validação ou o acompanhamento do PLH.[3]
O que incluir na sua solicitação
- Peça e material: tipo de junta (topo, ângulo, conexão), material, espessura e diâmetro externo do tubo.[1]
- Método, técnica e extensão: quais juntas ou áreas e que porcentagem de cada uma.[1]
- Código de construção e critério de aceitação a aplicar, com as normas de projeto e de inspeção do equipamento.[1][3]
- Certificado SNQC/END de cada inspetor (método, nível 2 para quem interpreta, subnível que cobre a junta e validade), conferido na consulta a profissionais SNQC no site da Abendi, e a autorização de trabalho por escrito do empregador.[1][2]
- Para phased array, TOFD ou radiografia digital: o subnível SNQC/END da técnica (US-N2-PA, US-N2-TOFD ou ER-N2-D).[1]
- Procedimento de END escrito, validado pelo nível 3 e, quando o contrato pedir, qualificado pela norma ABNT do método: NBR 16616 (ultrassom), NBR 16617 (partículas magnéticas), NBR 16450 (líquido penetrante) ou NBR 16817 (radiografia).[1][16][12][10][18]
- Para radiografia: autorização da ANSN da empresa, nome do SPR, número de operadores na equipe, tamanho da área isolada e quem a controla, e período de trabalho (diurno ou noturno).[5]
- Acesso e preparação, e quem providencia cada um: andaime ou outro acesso, remoção de isolamento térmico, limpeza da superfície e liberação do equipamento, em condições de segurança para quem executa e para os demais trabalhadores.[3][6]
- Relatório com TAG, escopo e limitações, técnica, equipamentos com calibração vigente, resultado por junta ou área com localização e dimensão, parecer e assinatura com número da certificação; em equipamento NR-13, o PLH que responde pela inspeção.[3][6]
Perguntas de compradores
Quanto tempo vale a certificação de inspetor de END?
No SNQC/END, no máximo 5 anos, com exame de acuidade visual todo ano. O certificado pode ser suspenso, entre outros casos, sem a acuidade anual comprovada ou com interrupção significativa no método, que a NA-001 define como mais de um ano seguido sem atuar nele, ou mais de dois anos somando períodos.[1]
O nível 1 pode relatar os resultados do END?
Pela NA-001, o nível 1 pode relatar os resultados que registrou e classificou pelo critério escrito, mas não pode ser responsável pela escolha do método ou da técnica nem pela interpretação dos resultados, que cabe ao nível 2 ou 3. A Abendi recomenda que a assinatura do relatório traga o número das certificações.[1][3]
Como reclamar de um inspetor de END certificado?
Pelo canal de contato do site da Abendi, com o assunto Reclamação. Podem reclamar candidatos, pessoas certificadas e empresas usuárias do trabalho de uma pessoa certificada; o prazo de resposta é de 30 dias úteis, que pode variar com a complexidade do caso, e cabe apelação da resposta.[2]
Fontes
- Abendi, Sistema Nacional de Qualificação e Certificação de Pessoas em END (SNQC/END), NA-001: Qualificação e certificação de pessoas em ensaios não destrutivos, revisão 39, agosto de 2026.
- Abendi, Certificação: Sistema Nacional de Qualificação e Certificação de Pessoas (SNQC), 2026.
- Abendi (Blog Abendi Digital), Relatório de inspeção: elementos essenciais, evidências e parecer técnico, 30 de outubro de 2026.
- Abendi (Blog Abendi Digital), Abendi lança nova versão do Guia Estudantil de END para orientar futuros profissionais, 30 de outubro de 2026.
- Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Norma ANSN 6.04: Requisitos de segurança e proteção radiológica para serviços de radiografia industrial (Resolução CNEN nº 145/2013), março de 2013.
- Ministério do Trabalho e Emprego, NR-13: caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques metálicos de armazenamento (texto vigente, redação da Portaria MTP nº 1.846/2022, última modificação pela Portaria MTP nº 4.219/2022), dezembro de 2022.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM ISO 9712:2025, Ensaios não destrutivos: qualificação e certificação de pessoas em END (ISO 9712:2021, IDT), abril de 2025.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM 315:2017, Ensaios não destrutivos: ensaio visual, requisitos e práticas recomendadas, novembro de 2017.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM 334:2012, Ensaios não destrutivos: líquidos penetrantes, detecção de descontinuidades, agosto de 2012.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 16450:2021, Ensaios não destrutivos: líquido penetrante, qualificação de procedimento, junho de 2021.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM 342:2014, Ensaios não destrutivos: partículas magnéticas, detecção de descontinuidades, novembro de 2014.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 16617:2023, Ensaios não destrutivos: partícula magnética, qualificação de procedimento, março de 2023.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM 336:2012, Ensaios não destrutivos: ultrassom em solda, procedimento, agosto de 2012.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM 330:2011, Ensaios não destrutivos: ensaio por ultrassom, princípios gerais, março de 2011.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 6002:2015, Ensaios não destrutivos: ultrassom, detecção de descontinuidades em chapas metálicas, março de 2015.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 16616:2017, Ensaios não destrutivos: ultrassom convencional, qualificação de procedimento, julho de 2017.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR ISO 17636-1:2026, Ensaios não destrutivos de juntas soldadas: ensaios radiográficos, parte 1, técnicas de raios X e gama com filme, outubro de 2026.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 16817:2020, Ensaios não destrutivos: radiografia convencional, qualificação de procedimento, fevereiro de 2020.
- ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 16979:2021, Ensaios não destrutivos: correntes parasitas, detecção e dimensionamento de descontinuidades superficiais e subsuperficiais em materiais metálicos, junho de 2021.
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