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Inspeções, testes e laudos

Ensaios não destrutivos: qual método encontra cada defeito, quem pode executar e o que pedir no relatório

Em resumo

Ensaios não destrutivos (END) avaliam soldas e peças sem danificá-las. Ensaio visual e líquido penetrante mostram descontinuidades abertas à superfície; partículas magnéticas também as subsuperficiais, só em material ferromagnético; ultrassom e radiografia, métodos volumétricos, examinam o volume da peça. No Brasil, o SNQC/END da Abendi certifica inspetores conforme a ISO 9712; nele, só os níveis 2 e 3 interpretam resultados.

Headcore10 min de leitura19 fontes

Quais são os tipos de ensaios não destrutivos e o que cada um encontra?

O SNQC/END da Abendi certifica pessoas em oito métodos de END (Tabela 1 da norma NA-001); a tabela traz seis deles, com os subníveis de certificação do esquema. Veja também caldeiraria.[1]

Quais são os tipos de ensaios não destrutivos e o que cada um encontra?
MétodoO que encontraEm que materialO que exigeNorma ABNT do ensaio
Ensaio visual (EV)Descontinuidades visíveis na superfície; em soldas, também o dimensional da junta e da preparaçãoSuperfícies ao alcance da vista ou de um dispositivo óticoVisão direta ou auxiliada por dispositivo ótico; para soldas, inspetor certificado em EV-N2-SABNT NBR NM 315:2017
Líquido penetrante (LP)Descontinuidades abertas à superfícieMateriais não porosos, metálicos e não metálicosDescontinuidade aberta à superfície; penetrante colorido ou fluorescente, removível com água ou com solventeABNT NBR NM 334:2012
Partículas magnéticas (PM)Descontinuidades superficiais e subsuperficiaisSomente materiais ferromagnéticosMagnetização por yoke, eletrodos, bobina, condutor central ou contato diretoABNT NBR NM 342:2014
Ultrassom (US)Descontinuidades em juntas soldadas, descontinuidades laminares em chapas a partir de 6 mm e espessura de paredeProdutos industriais permeáveis ao ultrassom, como juntas soldadas e chapas metálicas laminadasInspetor com o subnível da espessura e do tipo de junta (US-N2-S1 a S4); phased array e TOFD com subnível próprioABNT NBR NM 336:2012 (solda); ABNT NBR 6002:2015 (chapas)
Radiografia (ER)Descontinuidades no volume da junta soldada, registradas em filme ou em imagem digitalJuntas soldadas por fusão de materiais metálicosFonte de raios X ou gama, empresa autorizada pela ANSN, área delimitada e sinalizada e pelo menos dois operadores em campoABNT NBR ISO 17636-1:2026 (filme)
Correntes parasitas (CP)Descontinuidades superficiais e próximas da superfície, perda de espessura e espessura de revestimento não condutorMateriais metálicos condutores, inclusive juntas soldadas e tubos de trocadores de calorSonda adequada à peça; em tubos de troca térmica, técnica multifrequência (subnível CP-N2-TI)ABNT NBR 16979:2021

Fontes:[1][8][9][10][11][13][15][14][17][19][5]

Líquido penetrante ou partículas magnéticas: qual usar?

Partículas magnéticas quando o material é ferromagnético, líquido penetrante quando não é: a ABNT NBR NM 342 cobre descontinuidades superficiais e subsuperficiais em materiais ferromagnéticos, e a ABNT NBR NM 334, descontinuidades abertas à superfície em materiais não porosos, metálicos e não metálicos.[11][9]

Uma trinca logo abaixo da superfície aparece nas partículas magnéticas e não no líquido penetrante, que só mostra o que está aberto.[11][9]

Em soldas, o SNQC/END separa as técnicas de partículas magnéticas em subníveis: yoke (PM-N2-S-Y), eletrodos (PM-N2-S-E) e bobina, condutor central e contato direto (PM-N2-ES). Por isso o pedido diz a técnica, e o certificado do inspetor precisa cobri-la.[1]

Ultrassom ou radiografia: qual pedir na inspeção de solda?

Os dois são métodos volumétricos na NA-001; para quem contrata, a diferença está no campo: a radiografia segue a Norma ANSN 6.04, com área delimitada e sinalizada e equipe de pelo menos dois operadores, e o ultrassom fica fora dessa norma.[1][5]

Na NA-001, os subníveis de phased array e TOFD abrangem o US-N2-S1, e avaliar os arquivos de dados dessas técnicas pelo critério de aceitação cabe a quem tem US-N2-PA ou US-N2-TOFD.[1]

Na radiografia, o SNQC/END separa filme e imagem digital em subníveis: ER-N2-F-RX ou ER-N2-F-Gama para filme, ER-N2-D para imagem digital.[1]

No ultrassom, o subnível SNQC/END do inspetor vai pela espessura e pelo tipo de junta:[1]

  • US-N2-ME: medição de espessura;[1]
  • US-N2-S1: soldas de topo com espessura a partir de 15 mm, em chapas e em tubos com diâmetro externo a partir de 220 mm (8 polegadas nominais) nas soldas circunferenciais e de 508 mm (20 polegadas) nas longitudinais;[1]
  • US-N2-S2: acrescenta as espessuras de 6 mm a menos de 15 mm;[1]
  • US-N2-S2.1: acrescenta chapas de 4,8 mm a menos de 6 mm e soldas circunferenciais em tubos de 60 mm a menos de 220 mm de diâmetro externo, com espessura a partir de 4,8 mm;[1]
  • US-N2-S3: abrange o S2 (não o S2.1) e acrescenta juntas de ângulo, em quina, em L e em T;[1]
  • US-N2-S4: acrescenta juntas de geometria variável, como as conexões de equipamentos.[1]

O que a Norma ANSN 6.04 exige na radiografia industrial?

A Norma ANSN 6.04 (Resolução CNEN nº 145/2013) fixa quem pode operar, como a área é delimitada e o que se comunica à ANSN; vale para a posse, o uso, o armazenamento e o transporte das fontes de gamagrafia e dos equipamentos de raios X industriais (arts. 1º e 3º).[5]

Toda instalação de radiografia industrial precisa de Supervisores de Proteção Radiológica (SPR) certificados pela ANSN e de Operadores de Radiografia Industrial registrados (art. 4º), e o SPR não pode compor a equipe de operadores (art. 5º, parágrafo único).[5]

Os operadores devem "delimitar e sinalizar áreas supervisionadas e controladas" (art. 6º, I), e as operações "não podem ser executadas por um único IOE", salvo na instalação tipo I, um recinto isolado com equipamento autoblindado (arts. 50, III, e 2º, II, a).[5]

Em campo, a operação tipo III, em espaço isolado ou cercado, pede dois operadores, ao menos um Operador II; a tipo IV, cercada de áreas habitadas ou vias públicas, pede dois Operadores II e autorização específica da ANSN (art. 2º, II, c e d, art. 22 e Anexo I).[5]

O titular da instalação comunica à ANSN, todo mês, a localização de cada instalação de operação, o responsável, o cronograma e o período de trabalho, diurno ou noturno, e informa de pronto o início de qualquer nova instalação (art. 28, I e II).[5]

Quem pode executar e relatar ensaios não destrutivos no Brasil?

No SNQC/END, o sistema de certificação de pessoas em END mantido pela Abendi e acreditado pelo Inmetro, o inspetor é certificado por método, nível e setor (itens 5.1 e 3.2.30 da NA-001), e só os níveis 2 e 3 interpretam e avaliam os resultados.[2][1]

O esquema segue a ISO 9712:2021 (no Brasil, ABNT NBR NM ISO 9712:2025) e a norma NA-001 da Abendi, revisão 39 de agosto de 2026. A qualificação de soldadores e de procedimentos de soldagem está em soldador qualificado.[1][7]

Pela NA-001, a certificação "não confere licença" para executar END: cabe ao "empregador/contratante" verificar "a validade da certificação e a adequação desta às condições específicas do trabalho" (item 9.2). A autorização de trabalho é a declaração escrita do empregador, assinada com o nível 3 da empresa (item 3.2.1).[1]

O que cada nível pode ser autorizado a fazer, pela NA-001 (itens 6.1 a 6.3):[1]

  • nível 1: prepara o equipamento, realiza o ensaio, registra e classifica os resultados pelo critério escrito e os relata, sob supervisão de nível 2 ou 3; não pode ser responsável pela escolha do método ou da técnica nem pela interpretação dos resultados;[1]
  • nível 2: seleciona a técnica, traduz códigos e normas em instruções de END, ajusta o equipamento, interpreta e avalia os resultados pelo critério aplicável e organiza e relata os resultados;[1]
  • nível 3: estabelece e valida procedimentos, designa os métodos, interpreta códigos e normas e ajuda a definir o critério de aceitação quando não houver outro disponível.[1]

Quando a NR-13 exige ensaios não destrutivos?

A NR-13 deixa a escolha dos exames ao profissional legalmente habilitado (PLH): a inspeção de segurança de caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques "deve ser respaldada por exames e testes, a critério técnico do PLH, observado o disposto em códigos ou normas aplicáveis" (item 13.3.4). Prazos, PLH e relatório da inspeção estão em inspeção NR-13.[6]

Vasos de pressão sem acesso visual para o exame interno ou externo, por impossibilidade física, "devem ser submetidos a exames não destrutivos ou a outras metodologias de avaliação de integridade definidas por PLH, considerados os mecanismos de danos previsíveis" (item 13.5.4.6).[6]

Para a empresa com SPIE, o serviço próprio de inspeção, o Anexo II exige "mão de obra contratada para ensaios não destrutivos certificada segundo regulamentação vigente" (item 1, alínea b).[6]

No glossário da NR-13, o exame interno é o exame visual da superfície interna para detectar corrosão, trincas, incrustações, depósitos ou "qualquer descontinuidade nas regiões das soldas, com o emprego de ensaios e testes apropriados para avaliar sua integridade estrutural"; o teste de pressão, quando o PLH o pede, está em teste hidrostático.[6]

O que pedir no relatório de inspeção?

Peça identificação do equipamento, escopo, técnicas e limitações, cada resultado com localização e dimensão e um parecer assinado: é o que a Abendi lista como essencial no relatório de inspeção de equipamentos, em que entram os END aplicados (texto de outubro de 2026).[3]

A Abendi recomenda também que o relatório diga o que não foi inspecionado, como trechos com isolamento térmico não removido ou áreas sem acesso, e que troque descrições genéricas por medidas: em vez de "presença de corrosão", "corrosão alveolar localizada no quadrante C, com profundidade de 2 mm e extensão de 50 mm".[3]

Os elementos que a Abendi aponta:[3]

  • TAG do equipamento, fabricante, data de fabricação, fluido de operação e normas de projeto e de inspeção usadas;[3]
  • escopo, metodologia e limitações encontradas;[3]
  • técnicas de END aplicadas e equipamentos usados, com certificados de calibração vigentes;[3]
  • resultados com localização e dimensões, cada um ligado a uma evidência: foto numerada com escala, croqui ou registro do ultrassom;[3]
  • parecer técnico (apto, apto com restrições ou inapto), com recomendações e prazos;[3]
  • assinatura com número de registro profissional e das certificações (Abendi ou SNQC) e, na inspeção NR-13, a validação ou o acompanhamento do PLH.[3]

O que incluir na sua solicitação

  • Peça e material: tipo de junta (topo, ângulo, conexão), material, espessura e diâmetro externo do tubo.[1]
  • Método, técnica e extensão: quais juntas ou áreas e que porcentagem de cada uma.[1]
  • Código de construção e critério de aceitação a aplicar, com as normas de projeto e de inspeção do equipamento.[1][3]
  • Certificado SNQC/END de cada inspetor (método, nível 2 para quem interpreta, subnível que cobre a junta e validade), conferido na consulta a profissionais SNQC no site da Abendi, e a autorização de trabalho por escrito do empregador.[1][2]
  • Para phased array, TOFD ou radiografia digital: o subnível SNQC/END da técnica (US-N2-PA, US-N2-TOFD ou ER-N2-D).[1]
  • Procedimento de END escrito, validado pelo nível 3 e, quando o contrato pedir, qualificado pela norma ABNT do método: NBR 16616 (ultrassom), NBR 16617 (partículas magnéticas), NBR 16450 (líquido penetrante) ou NBR 16817 (radiografia).[1][16][12][10][18]
  • Para radiografia: autorização da ANSN da empresa, nome do SPR, número de operadores na equipe, tamanho da área isolada e quem a controla, e período de trabalho (diurno ou noturno).[5]
  • Acesso e preparação, e quem providencia cada um: andaime ou outro acesso, remoção de isolamento térmico, limpeza da superfície e liberação do equipamento, em condições de segurança para quem executa e para os demais trabalhadores.[3][6]
  • Relatório com TAG, escopo e limitações, técnica, equipamentos com calibração vigente, resultado por junta ou área com localização e dimensão, parecer e assinatura com número da certificação; em equipamento NR-13, o PLH que responde pela inspeção.[3][6]

Perguntas de compradores

Quanto tempo vale a certificação de inspetor de END?

No SNQC/END, no máximo 5 anos, com exame de acuidade visual todo ano. O certificado pode ser suspenso, entre outros casos, sem a acuidade anual comprovada ou com interrupção significativa no método, que a NA-001 define como mais de um ano seguido sem atuar nele, ou mais de dois anos somando períodos.[1]

O nível 1 pode relatar os resultados do END?

Pela NA-001, o nível 1 pode relatar os resultados que registrou e classificou pelo critério escrito, mas não pode ser responsável pela escolha do método ou da técnica nem pela interpretação dos resultados, que cabe ao nível 2 ou 3. A Abendi recomenda que a assinatura do relatório traga o número das certificações.[1][3]

Como reclamar de um inspetor de END certificado?

Pelo canal de contato do site da Abendi, com o assunto Reclamação. Podem reclamar candidatos, pessoas certificadas e empresas usuárias do trabalho de uma pessoa certificada; o prazo de resposta é de 30 dias úteis, que pode variar com a complexidade do caso, e cabe apelação da resposta.[2]

Fontes

  1. Abendi, Sistema Nacional de Qualificação e Certificação de Pessoas em END (SNQC/END), NA-001: Qualificação e certificação de pessoas em ensaios não destrutivos, revisão 39, agosto de 2026.
  2. Abendi, Certificação: Sistema Nacional de Qualificação e Certificação de Pessoas (SNQC), 2026.
  3. Abendi (Blog Abendi Digital), Relatório de inspeção: elementos essenciais, evidências e parecer técnico, 30 de outubro de 2026.
  4. Abendi (Blog Abendi Digital), Abendi lança nova versão do Guia Estudantil de END para orientar futuros profissionais, 30 de outubro de 2026.
  5. Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Norma ANSN 6.04: Requisitos de segurança e proteção radiológica para serviços de radiografia industrial (Resolução CNEN nº 145/2013), março de 2013.
  6. Ministério do Trabalho e Emprego, NR-13: caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques metálicos de armazenamento (texto vigente, redação da Portaria MTP nº 1.846/2022, última modificação pela Portaria MTP nº 4.219/2022), dezembro de 2022.
  7. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM ISO 9712:2025, Ensaios não destrutivos: qualificação e certificação de pessoas em END (ISO 9712:2021, IDT), abril de 2025.
  8. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM 315:2017, Ensaios não destrutivos: ensaio visual, requisitos e práticas recomendadas, novembro de 2017.
  9. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM 334:2012, Ensaios não destrutivos: líquidos penetrantes, detecção de descontinuidades, agosto de 2012.
  10. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 16450:2021, Ensaios não destrutivos: líquido penetrante, qualificação de procedimento, junho de 2021.
  11. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM 342:2014, Ensaios não destrutivos: partículas magnéticas, detecção de descontinuidades, novembro de 2014.
  12. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 16617:2023, Ensaios não destrutivos: partícula magnética, qualificação de procedimento, março de 2023.
  13. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM 336:2012, Ensaios não destrutivos: ultrassom em solda, procedimento, agosto de 2012.
  14. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR NM 330:2011, Ensaios não destrutivos: ensaio por ultrassom, princípios gerais, março de 2011.
  15. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 6002:2015, Ensaios não destrutivos: ultrassom, detecção de descontinuidades em chapas metálicas, março de 2015.
  16. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 16616:2017, Ensaios não destrutivos: ultrassom convencional, qualificação de procedimento, julho de 2017.
  17. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR ISO 17636-1:2026, Ensaios não destrutivos de juntas soldadas: ensaios radiográficos, parte 1, técnicas de raios X e gama com filme, outubro de 2026.
  18. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 16817:2020, Ensaios não destrutivos: radiografia convencional, qualificação de procedimento, fevereiro de 2020.
  19. ABNT (catálogo Target Normas), ABNT NBR 16979:2021, Ensaios não destrutivos: correntes parasitas, detecção e dimensionamento de descontinuidades superficiais e subsuperficiais em materiais metálicos, junho de 2021.

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